Os Estados Unidos e um grupo de nações latino-americanas que integram o chamado "Escudo das Américas" divulgaram nesta sexta-feira (5 de junho de 2026) uma declaração conjunta de apoio ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, de centro-direita. O documento foi publicado pelo Departamento de Estado norte-americano e ocorre em um momento de intensos protestos no país, onde manifestantes exigem a renúncia do mandatário.
Além dos EUA, assinaram o texto: Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago. O Ministério de Relações Exteriores boliviano, em publicação na rede social X, agradeceu o respaldo e "reafirma o valor inegociável da democracia e da estabilidade institucional em nossa região".
Protestos completam 36 dias
Esta sexta-feira marcou o 36º dia consecutivo de manifestações contra o governo, com mais de 80 bloqueios em rodovias e prisões de líderes dos atos. Rodrigo Paz foi eleito em 19 de outubro de 2025, após derrotar Jorge "Tuto" Quiroga, da Aliança Livre, no segundo turno.
Os manifestantes atribuem os protestos à crise econômica, considerada a pior em décadas, e afirmam que a recessão foi agravada pelas medidas de austeridade adotadas após o fim de 20 anos de governos de esquerda.
Entenda a crise
Paz assumiu uma economia já debilitada, com escassez de dólares e queda na exportação de gás natural. Suas tentativas de ajuste financeiro geraram revolta popular generalizada. Entre os fatores da crise estão:
- Fim dos subsídios: o encerramento dos subsídios aos combustíveis, mantidos por mais de duas décadas, elevou os preços da gasolina;
- Desabastecimento e inflação: a alta dos combustíveis resultou em escassez de produtos, longas filas e aumento de preços;
- Pressão salarial: a população passou a exigir reajuste salarial imediato de 20% para compensar a perda do poder de compra;
- Reforma agrária: a reclassificação de pequenas propriedades rurais na reforma agrária mobilizou comunidades camponesas e indígenas.
Sindicatos ligados à Central Operária Boliviana, além de mineiros, professores e produtores rurais, bloquearam as principais rodovias do país.
Com informações de Poder360.