Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar para pôr fim ao conflito que durou quase quatro meses e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo. O entendimento foi revelado no domingo (14) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as conversas, e posteriormente confirmado pelo presidente americano, Donald Trump, e por autoridades iranianas.

Segundo os governos envolvidos, as partes concordaram com o fim imediato e permanente de todas as operações militares. Um memorando de entendimento formalizando o acordo será assinado na Suíça na próxima sexta-feira (19), com divulgação pública em seguida.

Implementação e próximos passos

O texto prevê que o Estreito de Ormuz comece a ser reaberto após a assinatura do memorando, junto com a suspensão gradual do bloqueio americano aos portos iranianos. Autoridades iranianas afirmaram que o tráfego será liberado para todos os navios comerciais, sob coordenação com Omã. As negociações sobre temas mais complexos — como o programa nuclear iraniano e o regime de sanções — deverão continuar nos próximos 60 dias.

Questão nuclear

Como parte do entendimento inicial, o Irã reiterou o compromisso de não produzir nem adquirir armas nucleares. Enquanto as discussões de um acordo definitivo prosseguem, Teerã concordou em congelar atividades sensíveis, incluindo o enriquecimento de urânio e a expansão de suas instalações nucleares. Autoridades iranianas disseram que, em um eventual acordo abrangente, o país poderá diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido dentro de seu território. O presidente Donald Trump declarou que não há urgência na retirada desse material e indicou que a questão será tratada em etapas posteriores, com previsão de um sistema rigoroso de inspeções internacionais. Nos Estados Unidos, o senador Lindsey Graham destacou que qualquer acordo final deverá ser analisado e aprovado pelo Congresso.

Sanções e impacto econômico

No campo econômico, autoridades iranianas afirmaram que Washington concordou em não impor novas sanções durante o período de negociação. Também estariam previstas flexibilizações nas restrições ao setor petrolífero e a eventual suspensão de sanções dos EUA e da ONU, conforme cronograma a ser definido. Teerã aponta a possibilidade de liberação de até US$ 25 bilhões em ativos congelados, por meio de transferências diretas, cooperação regional e linhas de crédito. Já Trump afirmou que o Irã não receberá recursos diretamente, mas sinalizou que sanções poderão ser suspensas. Um plano de reconstrução e desenvolvimento para o país, em coordenação com aliados regionais dos EUA, também deve ser formulado e negociado dentro de dois meses.

Impactos regionais e Líbano

O acordo também abrange o fim das operações militares no Líbano. Segundo autoridades iranianas, a cessação dos combates deve ocorrer de forma permanente, incluindo ações no território libanês. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano é condição central para o sucesso do entendimento, atribuindo aos Estados Unidos a responsabilidade pela implementação do acordo. Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as forças israelenses permanecerão nas zonas de segurança estabelecidas no Líbano, na Síria e em Gaza, conforme orientação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Antes do anúncio formal, Trump havia afirmado que buscava ampliar o acordo para garantir estabilidade regional, incluindo o fim de ataques entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã.