Estados Unidos e Irã deram um passo adiante nas negociações para um acordo provisório que pode reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de petróleo, e abrir caminho para o fim da guerra no Oriente Médio. O Paquistão, que atua como mediador, afirmou neste sábado (13) que os dois lados concordaram com uma estrutura principal para um acordo de paz, com previsão de assinatura eletrônica em breve, seguida de conversas técnicas na próxima semana.

Cautela iraniana sobre data de assinatura

Apesar do avanço, o Irã adotou um tom de cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou que ainda será necessário aguardar a data exata da assinatura do memorando de entendimento, indicando que ela não deve ocorrer já no domingo. “Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã”, afirmou Baghaei, segundo a mídia estatal iraniana.

Em contraste, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia publicado em redes sociais que o acordo com o Irã estava previsto para ser assinado no domingo e que o Estreito de Ormuz deveria ser imediatamente “aberto a todos” após a assinatura.

Paquistão vê acordo mais próximo

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, escreveu no X que as partes estão “mais perto de um acordo de paz do que nunca”. Segundo ele, Islamabad se prepara para uma assinatura eletrônica do entendimento, seguida de discussões técnicas na próxima semana. Uma autoridade norte-americana, porém, evitou comentar o momento exato da assinatura e limitou-se a classificar o acordo como “muito vantajoso”.

Esta não é a primeira vez que Washington e Teerã parecem próximos de um entendimento inicial para encerrar o conflito, iniciado em 28 de fevereiro após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Tratativas anteriores não se concretizaram.

Termos do acordo em discussão

O foco imediato das negociações é a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã durante a guerra. Antes do conflito, cerca de 140 navios passavam diariamente pela região, uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo.

Segundo autoridades citadas pela Bloomberg, a proposta prevê uma abordagem gradual:

  • Reabertura de Ormuz em primeiro lugar;
  • O Irã receberia benefícios econômicos à medida que cumprisse exigências dos Estados Unidos.

Entre as exigências de Washington estão impedir que Teerã desenvolva um programa de armas nucleares e permitir apenas a manutenção de um programa nuclear civil. O acordo também prevê a retirada de material nuclear enriquecido do país e, caso os termos sejam cumpridos, o alívio de sanções e a reintegração gradual do Irã à economia global.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a soberania iraniana sobre o estreito seria mantida sob o acordo proposto. Ele também disse que Teerã está “mais perto de um entendimento do que nunca”, mas que a assinatura ainda depende da análise dos termos.

Tensão militar persiste em Ormuz

As negociações ocorrem em meio a novos episódios de tensão perto do Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA informou que forças americanas abateram drones iranianos que teriam como alvo navios comerciais próximos à hidrovia. No sábado, a Marinha do Reino Unido também informou que uma embarcação foi atingida por um projétil não identificado na costa de Omã.

Caso o acordo seja assinado, Reino Unido e França devem formar uma coalizão para remover minas iranianas que, segundo os Estados Unidos, colocam em risco a navegação em Ormuz.

Impacto no mercado de energia e papel de Israel

A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos na região, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito reacendeu a rivalidade entre Israel e o Hezbollah, grupo alinhado a Teerã.

A crise pressionou os preços globais da energia, diante do risco de interrupção no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Os preços recuaram na sexta-feira, após Trump afirmar que havia cancelado planos para novos ataques ao Irã.

Israel segue como um ponto de incerteza. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já indicou preferência por novas ações militares para enfraquecer as forças iranianas. Araghchi afirmou que Israel é um “inimigo” do acordo proposto com os Estados Unidos e tenta sabotá-lo.

Até que o Irã dê uma resposta definitiva, não está claro se as últimas movimentações representam um passo concreto rumo a uma paz mais duradoura ou apenas mais uma tentativa de acordo em meio a um cessar-fogo frágil.