Os Estados Unidos e o Irã assinaram nesta segunda-feira um memorando de entendimento para encerrar as hostilidades que se arrastavam por quase quatro meses, segundo autoridades norte-americanas. A cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na próxima sexta-feira, com expectativa de aumento gradual do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota vital para o suprimento global de petróleo e gás.

Detalhes do acordo

O documento foi assinado pelo presidente Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf. O pacto representa o maior avanço até o momento na resolução do conflito, que começou em fevereiro com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã e resultou em milhares de mortos e instabilidade nos mercados de energia.

Uma autoridade norte-americana, que falou sob condição de anonimato, informou que o memorando estabelece uma estrutura para a relação bilateral futura. Os benefícios ao Irã — como alívio de sanções e liberação de fundos congelados — dependerão da cooperação de Teerã em relação ao seu programa nuclear e do fim do apoio a grupos considerados radicais na região.

Reabertura do Estreito de Ormuz

O memorando prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, bloqueado de fato pelo Irã nos últimos meses. Um funcionário americano afirmou que o tráfego começará a aumentar gradualmente. “Provavelmente não voltaremos à normalidade em duas semanas, mas veremos um aumento significativo no tráfego no estreito”, declarou.

A mesma autoridade disse que o documento deve ser tornado público nas próximas 24 a 48 horas.

Condições e próximos passos

Segundo uma segunda autoridade dos EUA, os incentivos iniciais serão modestos. “Estamos preparados para liberar fundos congelados e para aliviar as sanções, e faremos alguns pequenos gestos nesse sentido inicialmente, se eles fizerem alguns pequenos gestos que mostrem que também estão dispostos a cumprir seus compromissos”, afirmou.

As negociações sobre a contenção do programa nuclear iraniano foram adiadas para uma fase posterior. Analistas alertam para riscos persistentes, dada a complexidade do tema.

Posição de Israel

Um alto funcionário americano esclareceu que a retirada de Israel do Líbano não é condição para o acordo. Ele sublinhou que Israel mantém o direito de se defender contra ataques do Hezbollah e que o pacto foca na relação bilateral entre EUA e Irã e nas questões nucleares.