Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram um acordo nesta quarta-feira para encerrar o conflito no Oriente Médio iniciado em 28 de fevereiro. O memorando de entendimento estabelece que Teerã diluirá seu urânio enriquecido em troca do levantamento das sanções americanas. A assinatura ocorreu durante um jantar de Trump com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes. A chancelaria iraniana confirmou a assinatura por Pezeshkian.
Termos do acordo
Pelo texto divulgado por Washington e Teerã, os Estados Unidos suspenderão, a partir da assinatura, as sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos iranianos. O Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente, conforme informou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador. Sharif confirmou uma cerimônia na Suíça na próxima sexta-feira para dar início às negociações técnicas.

Nos próximos dois meses, os dois países discutirão um mecanismo para tratar das reservas de urânio enriquecido do Irã, sob acusações americanas de que Teerã busca desenvolver armas nucleares. A diluição será feita in loco com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em 30 dias, o Irã deve permitir o restabelecimento completo do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Reações e declarações
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou à TV estatal que o Estreito “não voltará à situação anterior à guerra” e que o Irã cobrará pedágio pelos serviços. Ghalibaf considerou o acordo “o fracasso dos Estados Unidos”.

O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qasem, classificou o acordo como “uma grande vitória” para o Irã e agradeceu pela inclusão do Líbano. Qasem pediu que o governo libanês encerre as negociações diretas com Israel, iniciadas em abril. O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que esse processo é “independente” do acordo entre EUA e Irã.
Compromissos financeiros e apoio internacional
Os Estados Unidos se comprometeram a facilitar, com parceiros regionais, um fundo de 300 bilhões de dólares (cerca de 1,53 trilhão de reais) para a reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã, sem participação financeira americana direta.
Os membros do G7 — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — celebraram o acordo como “uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear”. A China, por meio do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, destacou a necessidade de “aplicação escrupulosa” e de evitar “ingerências” externas, além de pedir gestão adequada da navegação no Estreito de Ormuz.
Impacto no mercado de petróleo
As cotações do petróleo registraram alta momentânea de 5% antes da assinatura, mas o barril de Brent, referência mundial, encerrou o dia próximo dos 80 dólares.