Estados Unidos e Irã divulgaram nesta quarta-feira (17) o texto de um acordo provisório de cessar-fogo, assinado digitalmente pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. O presidente americano, no entanto, ameaçou retomar os ataques caso o Irã não cumpra os compromissos assumidos.
Acordo de 14 pontos
O memorando, redigido em inglês e farsi, estende por mais 60 dias o cessar-fogo anunciado em abril, inclusive no Líbano, permitindo negociações para uma trégua permanente. Entre os pontos principais estão o fim imediato das hostilidades em todas as frentes, a retomada total do tráfego marítimo sem cobranças no Estreito de Ormuz, o levantamento do bloqueio dos EUA aos portos iranianos e a suspensão das sanções americanas contra o Irã. Também está previsto o descongelamento de ativos iranianos e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país.

O Irã reafirmou o compromisso de não fabricar armas nucleares e concordou com a diluição local de seu estoque de urânio enriquecido, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Trump, no entanto, queria que o material fosse retirado do país, o que foi rejeitado por Teerã.
Ameaças de Trump
Em coletiva de imprensa, Trump afirmou:
“Vamos bombardeá-los até não poder mais se violarem o acordo. Não quero que façam isso. Quero que honrem o acordo.”Ele também disse:
“Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a jogar bombas bem no meio da cabeça deles, OK?”

O presidente americano ainda voltou atrás em sua promessa de fevereiro de destruir todos os mísseis balísticos iranianos. Questionado, declarou:
“Estou dizendo que se outros países os têm, é um pouco injusto que eles não tenham alguns.”
Contexto e reações
O conflito entre EUA, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro, com o assassinato do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e de líderes militares iranianos. A guerra se expandiu para uma crise regional, resultando em mais de 7 mil mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de elevar os preços da energia e gerar preocupações com inflação e abastecimento de alimentos.

O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou à TV estatal:
“Tudo o que buscávamos alcançar por meio de ação militar, obtivemos várias vezes mais por meio de negociação; não era nem comparável.”
Líderes do G7, reunidos em Evian-les-Bains, na França, saudaram o acordo e exigiram cessar-fogo imediato no Líbano, onde o conflito entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, matou milhares e deslocou mais de um milhão de pessoas. Os combates diminuíram, mas não cessaram desde o anúncio do acordo no domingo.
Os preços do petróleo Brent caíram para abaixo de US$ 80 o barril, menor nível desde o início da guerra, com a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz. Após as ameaças de Trump, os preços se recuperaram mais de 1%.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, colocou em dúvida a realização de uma cerimônia formal de assinatura na Suíça, afirmando que, com as assinaturas já feitas, nenhum evento adicional ocorrerá.