Estados Unidos e Irã, com mediação do Paquistão, anunciaram neste sábado (15) um acordo preliminar para pôr fim à guerra iniciada no final de fevereiro. O memorando de entendimento será assinado na Suíça na próxima sexta-feira (19), e seu conteúdo será divulgado posteriormente, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi.
Implementação do acordo
De acordo com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, ambos os lados declararam o “fim imediato e permanente de todas as operações militares”. A declaração inclui o Líbano, conforme Sharif e a Secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que afirmou que as operações cessarão permanentemente na noite de segunda-feira (17).

O presidente dos EUA, Donald Trump, que iniciou o conflito junto com Israel, afirmou que o Estreito de Ormuz será reaberto na sexta-feira e ordenou o levantamento do bloqueio aos portos iranianos. Uma autoridade iraniana de alto escalão disse que o estreito será reaberto “a todos os navios comerciais” assim que o memorando for assinado. A agência semioficial Fars informou que o tráfego marítimo pelo estreito será regulado pelo Irã em coordenação com Omã.
Programa nuclear do Irã
Ambos os países afirmaram que o Irã concorda em não produzir nem adquirir armas nucleares, promessa que Teerã repete há décadas. Segundo a autoridade iraniana, enquanto se aguarda um acordo final, o Irã congelará suas atividades nucleares, abstendo-se de enriquecer urânio ou expandir instalações nucleares. Os EUA concordaram que o Irã poderá diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido dentro do país sob um futuro acordo abrangente.

Trump disse no sábado que não há urgência em retirar o estoque de material nuclear do Irã e que os EUA o recuperarão “quando tudo estiver calmo”. Ele também afirmou que haverá um rigoroso regime de inspeções, sem dar detalhes. O senador norte-americano Lindsey Graham declarou que qualquer acordo final sobre o programa nuclear iraniano terá de ser analisado e aprovado pelo Congresso.
Sanções e impacto financeiro
A autoridade iraniana informou que os EUA concordaram em não impor novas sanções ao Irã até que um acordo final seja alcançado. Acrescentou que Washington dispensaria as sanções petrolíferas por um período específico e que, após o acordo final, todas as sanções dos EUA e da ONU serão suspensas conforme cronograma acordado.

Segundo a mesma fonte, os EUA concordaram em liberar US$ 25 bilhões dos ativos congelados do Irã, por meio de transferências diretas, cooperação regional e linhas de crédito. Washington, em coordenação com aliados regionais, preparará um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã, a ser negociado dentro de 60 dias. Trump, por sua vez, disse que o Irã não receberá dinheiro, mas que as sanções poderão ser suspensas.
Líbano e reação de Israel
O fim das operações militares inclui o Líbano, segundo Sharif. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que deve haver uma paralisação total dos ataques israelenses contra o Líbano e que os EUA são responsáveis pela implementação do acordo-quadro. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as forças israelenses permanecerão nas zonas de segurança capturadas no Líbano, na Síria e em Gaza, e que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou isso claro para Trump.
Antes do anúncio, Trump disse que traria paz à região, incluindo o Líbano, e que não deveria haver mais ataques israelenses ao Líbano nem do Hezbollah contra Israel.