Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz neste domingo (14 de maio), estabelecendo o fim "imediato e permanente" das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano. A guerra no Oriente Médio, que durava mais de três meses, sinaliza aproximação do fim. Uma cerimônia de assinatura está prevista para 19 de junho em Genebra, na Suíça.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o acordo em sua rede social Truth Social: "O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!". Trump autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágio e o levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos, mas condicionou a passagem marítima à assinatura formal do acordo na sexta-feira. Ele declarou que o "Grande Acordo trará Paz e Segurança para toda a Região".

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou em sua conta no X que um acordo "FOI ALCANÇADO", agradecendo a Washington e Teerã por encontrarem uma solução diplomática para o conflito. Ele também mencionou o apoio de Catar, Arábia Saudita e Turquia na mediação.
O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que o acordo põe um "fim imediato à guerra" e que negociações para um acordo final começarão dentro de 60 dias.

Declarações das Forças Armadas Iranianas
As forças armadas iranianas divulgaram um comunicado afirmando terem "humilhado" os Estados Unidos e Israel. Segundo o Estado-Maior iraniano, citado pela televisão estatal, Teerã "impôs sua vontade divina e de aço a inimigos americanos e sionistas humilhados".
A agência de notícias iraniana Mehr informou que um memorando de entendimento prevê o desembolso imediato de 12 bilhões de dólares em ativos congelados.
Reações Internacionais
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, comemorou o acordo. Em comunicado atribuído a seu porta-voz, Stéphane Dujarric, Guterres afirmou esperar que as partes "aproveitem este novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito".
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou à Fox News que pretende participar da assinatura do acordo em Genebra e acrescentou que Trump "poderá" comparecer. "Definitivamente pretendo estar lá, mas é possível que o presidente também esteja", disse.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o acordo será um dos principais temas de discussão na cúpula do G7, que se inicia na França. Ele destacou a necessidade de analisar as consequências do acordo, apoiar o Líbano, reabrir o Estreito de Ormuz a longo prazo e concluir um acordo sobre o programa nuclear e balístico do Irã. Na segunda-feira, Macron receberá Trump e líderes da Alemanha, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido.
Contexto do Conflito e Pontos de Discórdia
A guerra teve início no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Como resposta, Teerã atacou Israel e aliados na região e bloqueou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o abastecimento global de petróleo e gás natural. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio do tráfego em todos os portos iranianos.
O bloqueio do estreito impactou a economia global, elevando os preços dos combustíveis, impulsionando a inflação nos Estados Unidos e em outros países e congestionando cadeias de suprimentos de bens como fertilizantes essenciais para a produção de alimentos em áreas distantes do Oriente Médio. Vance afirmou que o acordo pode "reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas também no longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio".
O conteúdo detalhado do acordo ainda não foi divulgado, e as partes divulgaram informações contraditórias. Teerã insiste em manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, condição considerada inaceitável pelos Estados Unidos. Outro ponto das negociações é o destino do programa nuclear iraniano, especialmente seus estoques de urânio altamente enriquecido. Trump justificou a guerra como necessária para impedir que o Irã obtivesse armas nucleares, ambição que Teerã nega.