Os Estados Unidos classificaram duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, gerando uma onda de especulações e reações no Brasil. A medida, anunciada pelo governo americano, levanta questões sobre possíveis ações militares na Amazônia, como a derrubada de aviões do tráfico ou explosão de narcobarcos, embora tais cenários sejam considerados improváveis por analistas.

Especialistas apontam que a classificação pode aumentar o monitoramento de transações financeiras para combater a lavagem de dinheiro, o que gerou críticas de setores que veem a medida como uma interferência na soberania nacional. No entanto, instituições financeiras já possuem mecanismos para cumprir as exigências legais, segundo fontes do setor.

A reação do governo brasileiro foi de defesa da soberania, com declarações de autoridades condenando a medida. No México, a presidente Claudia Sheinbaum também reagiu com veemência à classificação de cartéis como terroristas, mas adotou uma postura mais pragmática, tendo extraditado 29 criminosos para os Estados Unidos.

O debate expõe um problema mais amplo: a glamorização do crime organizado no Brasil, com influenciadores e artistas exaltando figuras do tráfico. Isso contribui para que jovens de comunidades pobres vejam traficantes como modelos de sucesso, em vez de atletas ou profissionais de destaque.

Nos Estados Unidos, a classificação de organizações criminosas como terroristas visa combater o tráfico de fentanil, que causou mais de 100 mil mortes por overdose em 2022, número que caiu para menos de 70 mil em 2023. A medida reflete a prioridade do governo americano em enfrentar o problema, mesmo que isso gere atritos com líderes de outros países.

Com informações de Veja.