A morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e apontado como principal líder da facção venezuelana Tren de Aragua, foi tratada pelo governo dos Estados Unidos como um recado direto à América Latina. O crime ocorreu em uma operação militar anunciada na noite de sexta-feira (12) por Washington e Caracas, no estado de Bolívar, no sudeste da Venezuela.
Reação do Pentágono
Neste sábado (13), o Pentágono afirmou que a ação envia uma “mensagem clara” à região. Patrick Weaver, subchefe de gabinete do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, escreveu nas redes sociais que “não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério” e disse que o Departamento de Defesa seguirá atuando na América Latina. O presidente Donald Trump também comemorou a operação, classificando o ataque como “rápido e letal” e executado pelo Comando Sul dos Estados Unidos, em cooperação com autoridades venezuelanas. Trump publicou um vídeo curto que mostra uma explosão em uma área cercada por vegetação, sem pessoas identificáveis no local.

Confirmação venezuelana
Caracas confirmou a morte logo depois. De acordo com o regime venezuelano, a operação envolveu confrontos com integrantes de estruturas do crime organizado.
Pressão sobre facções brasileiras
A ofensiva dos EUA contra o Tren de Aragua ocorre no mesmo momento em que Washington amplia a pressão sobre facções brasileiras. No último dia 5 de junho, o Departamento de Estado passou a classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A medida foi impulsionada pelo lobby de Flávio e Eduardo Bolsonaro junto ao governo Trump.
Reações no Brasil
No Brasil, autoridades e especialistas alertam que a decisão pode ter efeitos que vão além do combate ao crime organizado. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, defendeu a cooperação internacional em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas, mas afirmou que ela não pode servir de pretexto para ingerência externa. “Pretexto para intervenção é inaceitável”, disse.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também critica a classificação e aponta riscos para a soberania, o sistema financeiro e os mecanismos de cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos. Já o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de São Paulo, afirmou que enquadrar facções brasileiras como terroristas pode deslocar o combate ao crime da esfera policial para a militar e abrir brecha para ações unilaterais em território brasileiro.
Críticas à definição de terrorismo
A crítica central é que PCC e CV são organizações criminosas de perfil mafioso, com domínio territorial, infiltração estatal e atuação econômica, mas não se enquadram no conceito jurídico internacional de terrorismo adotado pela maioria dos países.