Negociadores dos Estados Unidos trabalham para divulgar rapidamente o texto do acordo firmado com o Irã, mesmo reconhecendo que o documento é propositalmente vago. Segundo autoridades americanas ouvidas pela CNN, o memorando de entendimento tem como principal objetivo criar um ambiente favorável para as negociações presenciais e altamente técnicas que ocorrerão nos próximos 60 dias.
As mesmas fontes descreveram o documento como "incrivelmente vago" e afirmaram que sua estrutura foi desenhada para permitir que o Irã o apresente politicamente ao seu público interno. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse à CNN na segunda-feira (15) que o texto tem apenas uma página e meia.
Memorando de entendimento é tratado como instrumento político
Autoridades americanas ressaltaram que o conteúdo do memorando não reflete compromissos importantes assumidos informalmente pelo Irã com os EUA. Esses compromissos informais, segundo elas, deram mais confiança ao lado americano para assinar o acordo. "As pessoas não devem dar muita importância à linguagem do memorando de entendimento", afirmou um funcionário, classificando o acordo como um "documento político".
"O que é mais importante do que o documento em si são os entendimentos que temos uns com os outros, e é por isso que é importante finalizá-lo, para que possamos criar o ambiente necessário para discutir todos esses assuntos, porque basicamente diz que vamos suspender as sanções, vamos chegar a um acordo sobre o programa nuclear, vamos descongelar os fundos", disse o funcionário.
O mesmo funcionário acrescentou: "Mas vamos suspender as sanções quando, você sabe, com base no progresso. Vamos liberar os fundos assim que tivermos concordado com os mecanismos para isso".
O que se sabe sobre o acordo
O acordo entre EUA e Irã prevê o fim do bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de 60 dias de negociações sobre questões nucleares. O texto do memorando será divulgado publicamente. O presidente Donald Trump afirmou que isso ocorrerá "muito em breve", provavelmente após uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira (19). Um alto funcionário do governo Trump disse que o documento deverá ser publicado nas próximas 24 a 48 horas.
Estreito de Ormuz
Os EUA afirmaram que o estreito será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, com Trump declarando que a passagem será "permanentemente livre de pedágios". No entanto, duas agências de notícias iranianas semioficiais informaram na segunda-feira que, embora Teerã permita o trânsito gratuito durante os 60 dias de negociações, pretende cobrar taxas após esse período. A agência Fars News afirmou que o Irã "pretende obter benefícios financeiros do tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz". Questões de segurança, como a remoção de minas instaladas pelo Irã no estreito, também influenciarão o cronograma de reabertura.
Cessar-fogo e presença militar
O Paquistão, que mediou o acordo, declarou que ambos os lados "anunciaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano". Contudo, um alto funcionário dos EUA afirmou na segunda-feira que o acordo não inclui uma exigência para que Israel se retire do Líbano. Israel, que não é parte do acordo, reiterou que suas forças não deixarão o território libanês. Os EUA manterão sua atual presença militar no Oriente Médio durante as negociações técnicas, com redução planejada caso um acordo final seja alcançado.
Questões nucleares
Os EUA disseram que o Irã forneceu garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear. No entanto, não há compromissos concretos sobre o programa nuclear iraniano nem sobre seus estoques de urânio. Essas questões foram deixadas para negociações futuras.
Sanções e recursos congelados
O Irã afirmou que as negociações nucleares de 60 dias só começarão depois que os EUA liberarem bilhões de dólares em recursos financeiros congelados. Porém, uma autoridade americana declarou que nenhum valor será liberado sem compromissos claros por parte do Irã.
Impacto econômico
Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos dos últimos três meses após o anúncio do acordo, mas ainda permanecem cerca de US$ 10 por barril acima dos níveis registrados antes do conflito. Uma recuperação econômica mais ampla provavelmente levará meses para acontecer.