Pombos são conhecidos por sua capacidade de retornar ao local de origem após percorrer centenas de quilômetros, comportamento que os tornou úteis como mensageiros. Sabe-se que essas aves detectam o campo magnético terrestre e o utilizam como bússola, mas o mecanismo exato ainda era incerto. Um novo estudo, publicado na revista científica Science, sugere que a detecção magnética ocorre a partir de células no fígado desses animais.

Especificamente, trata-se de um tipo de macrófago, células imunes especializadas em quebrar glóbulos vermelhos e armazenar ferro. Para testar se essas células influenciavam o senso de localização, os cientistas as retiraram temporariamente de alguns pombos e os deixaram voar.

“Tínhamos algumas pistas de que o fígado e o baço possuem propriedades magnéticas, pois são responsáveis pela degradação dos glóbulos vermelhos e, por isso, armazenam grande quantidade de ferro no organismo”, afirmou Clivia Lisowski, principal autora do estudo, em comunicado. Os resultados parecem confirmar a teoria: de todos os tecidos examinados, o fígado apresentou a maior concentração de ferro.

“O ferro está cristalizado em nanopartículas de óxido, tornando as células superparamagnéticas e reativas a campos magnéticos. Encontramos, de longe, a resposta magnética mais forte no tecido hepático”, acrescentou o coautor Ulf Wiedwald.

Os pesquisadores acreditam que outras aves e animais, como ratos, poderiam se orientar usando um GPS magnético semelhante. No entanto, especialistas externos afirmam que são necessárias mais pesquisas para confirmar que os pombos realmente se orientam dessa forma e para esclarecer como esses sinais chegam ao cérebro.

Embora os pesquisadores tenham encontrado o sinal magnético mais forte nos fígados dos pombos, essas células imunológicas também foram identificadas em outras áreas, incluindo o bico e o baço. Como, no fígado, as células imunológicas estão localizadas perto das fibras nervosas, pode ser que seja assim que elas transmitem seu 'sentido magnético' ao cérebro.

É possível que vários fatores interajam para a magnetorecepção dos pombos, sem uma resposta única, afirmaram o patologista veterinário Simon Spiro e o biólogo Hal Drakesmith em um editorial que acompanha o estudo. As aves poderiam usar técnicas diferentes para detectar campos magnéticos dependendo da tarefa, seja viajar longas distâncias ou encontrar um destino específico.

Com informações de Super Interessante.