Um novo estudo publicado na revista Nature Metabolism desafia a crença estabelecida de que os níveis sanguíneos da molécula NAD+ diminuem com a idade, o que serviu de base para um mercado bilionário de suplementos antienvelhecimento. A pesquisa analisou amostras de sangue de mais de 300 pessoas em sete conjuntos de dados e não encontrou evidências de que os níveis de NAD+ caiam com o envelhecimento, embora a suplementação possa aumentá-los.

O estudo foi liderado por Riekelt Houtkooper, professor de metabolismo translacional no Centro Médico Universitário de Amsterdã. Segundo ele, a equipe esperava desenvolver um teste de biomarcador para orientar o uso de suplementos de NAD+, mas ficou "muito decepcionada com os resultados". A pesquisa foi publicada em fevereiro como preprint e ainda não passou por revisão por pares.

Matt Kaeberlein, professor afiliado da Universidade de Washington que não participou do estudo, afirmou que a ideia de que os níveis de NAD+ diminuem universalmente com a idade tornou-se um dogma. "Isso deveria fazer as pessoas questionarem o quanto disso é realidade", disse.

Reações divergentes

Nem todos os especialistas consideram as descobertas definitivas. Joseph Baur, professor de fisiologia na Universidade da Pensilvânia, que não participou da pesquisa, argumentou que estudos anteriores mostraram declínio de NAD+ em tecidos específicos, como músculo e cérebro. "Não acho que isso mude as coisas de forma significativa", disse, embora reconheça que essa pesquisa ainda é "preliminar".

Andrew Shao, vice-presidente sênior da Niagen Bioscience, empresa que vende suplementos de NAD+, afirmou que o novo estudo "muda muito pouco", pois acredita que a diminuição nos tecidos é mais relevante. Ele admitiu que as mensagens para consumidores e influenciadores foram "simplificadas demais" e que é necessário esclarecer que as evidências apontam para declínio nos tecidos, não no sangue.

Origem da teoria

A teoria de que o NAD+ diminui com a idade surgiu há cerca de 20 anos, a partir de estudos em leveduras, vermes e camundongos que mostraram que aumentar os níveis da molécula poderia melhorar a longevidade. No entanto, testar os níveis sanguíneos em humanos é complexo, e a teoria "ultrapassou os dados reais", segundo Kaeberlein. Ele criticou a disseminação de modelos iniciais como fatos comprovados por influenciadores e palestrantes.

O Dr. Houtkooper não descarta o potencial terapêutico do NAD+, mas acredita que não há razão para indivíduos saudáveis tomarem o suplemento. Ele agora investiga o uso da molécula para condições genéticas raras que afetam o metabolismo celular. "Ainda há muita possibilidade no campo do NAD+, mas acho que nos últimos 15 anos ele foi incrivelmente superestimado", concluiu.

Com informações de Folha — Equilíbrio e Saúde.