Um estudo divulgado em maio de 2026 apontou que satélites russos têm provocado interferências em sinais de GPS no território de países membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O paper, intitulado Chasing Lightning (em tradução livre, "À caça do relâmpago"), documentou 75 episódios de perturbação entre 1º de janeiro de 2019 e 4 de maio de 2026, abrangendo nações europeias e norte-americanas. O documento completo está disponível em formato PDF.

Padrão sugere intencionalidade

Todd Humphreys, principal autor da pesquisa, ainda em fase de revisão, afirmou que a ação russa não é acidental. Em entrevista ao jornal O Globo publicada em 13 de maio de 2026, ele destacou que as interferências ocorreram majoritariamente entre terça e quinta-feira, sempre durante o horário comercial europeu, o que, segundo ele, não condiz com uma falha aleatória de hardware. "Estou convicto de que é jamming deliberado", declarou Humphreys, referindo-se à interferência intencional para bloquear ou interromper comunicações sem fio, como sinais de GPS, Wi-Fi ou celular.

De acordo com o pesquisador, a Rússia tem promovido interferências em uma faixa de 2 MHz, com duração de poucos segundos. Essa abordagem, segundo ele, permite verificar o funcionamento do sistema sem revelar todo seu potencial destrutivo. Humphreys alertou que, se os sinais fossem calibrados para coincidir exatamente com a frequência central do GPS e transmitidos de forma contínua, o impacto sobre aviação, navegação marítima, sistemas bancários e redes elétricas representaria "uma escalada massiva em guerra eletrônica".

Posição da Otan e organismos internacionais

A Otan ainda não possui uma doutrina clara para lidar com ataques eletromagnéticos que possam ser considerados atos de guerra. Historicamente, os ataques cibernéticos da Rússia contra a Estônia em 2007, por exemplo, foram classificados como guerra híbrida, não como agressão militar direta. No âmbito das Nações Unidas, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) é o organismo competente para tomar decisões sobre esse tipo de interferência.