Em ano eleitoral, é comum que o governo crie programas para aumentar a popularidade e as chances de reeleição, como ocorreu em 2014 e 2022. Segundo análise do pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE, doutor em economia, o governo Lula lançou um conjunto de políticas de estímulo à demanda que, embora sem impacto fiscal direto (com exceção do programa Gás do Povo), representam um subconjunto do pacote de reeleição.

Uma tabela elaborada pelo analista de política fiscal do BTG, Fábio Serrano, lista os programas, seus orçamentos totais e a execução adicional prevista para 2026 em comparação com 2025, tanto em reais quanto em percentual do PIB. Entre os programas estão Minha Casa, Minha Vida, Move Brasil, Reforma, Luz para o Povo e a alteração da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Para muitos programas, como o Minha Casa, Minha Vida, a execução em 2026 é bem menor que o orçamento, devido a defasagens entre o desenho, projeto, execução da obra e venda da moradia. Enquanto alguns programas usam crédito com taxa preferencial, outros, como Luz para o Povo, utilizam subsídio cruzado. A mudança no IRPF é financiada por maiores impostos sobre altas rendas.

O pesquisador ressalta que, apesar do caráter eleitoreiro, as medidas têm diferentes graus de eficiência. Por exemplo, o Minha Casa, Minha Vida, após muitos bilhões investidos, não reduziu o déficit habitacional e é criticado por urbanistas. No entanto, elas afetam a demanda em uma economia que já opera a plena carga.

O economista revisou sua projeção de inflação para 2026 de 4,1% para 5,3%, um aumento de 1,2 ponto percentual. Dessa revisão, 0,5 ponto percentual é atribuído à demanda mais forte e seus impactos sobre os preços, e não a fatores como a guerra no Irã ou o El Niño.

Com informações de Folha — Mercado.