A Equatorial Energia concluiu nesta terça-feira (16 de junho de 2026) a compra de 30% do capital social da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), por meio da Gerais Saneamento. A transação, realizada na B3 em São Paulo, marca o fim de 52 anos de controle estatal sobre a empresa mineira de saneamento.

O investimento da Equatorial foi de R$ 5,5 bilhões, com preço de R$ 49,03 por ação na oferta pública secundária de ações ordinárias. A Fundos Perfin adquiriu 12,76% da companhia. O total das ações negociadas ultrapassou R$ 8 bilhões.

Nova estrutura societária

Com a operação, a participação do governo de Minas Gerais caiu de 50,03% para 5% do capital social. O estado manteve poder de veto em decisões estratégicas por meio de uma golden share. A distribuição acionária passou a ser:

  • 30% — Equatorial Energia
  • 5% — governo de Minas Gerais
  • 65% — demais acionistas

A Copasa foi criada em 1974 como empresa de economia mista. Sua origem remonta a 1963, com a fundação da Companhia Mineira de Água e Esgoto (Comag).

Restrições de venda e investimentos

Para garantir compromissos de longo prazo, metade das ações vendidas tem restrição de venda por quatro anos, até junho de 2030. A outra metade está sujeita a lock-up até dezembro de 2033 ou até o cumprimento das metas de universalização do saneamento. O aporte da Equatorial poderia ter chegado a R$ 7,9 bilhões se a participação fosse de 42,62%, mas a empresa optou por 30%.

Os recursos obtidos com a privatização serão aplicados na redução da dívida do Estado de Minas Gerais e no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A privatização foi autorizada pela Lei Estadual nº 25.664/2025, que determina que os valores arrecadados sejam destinados prioritariamente à amortização da dívida estadual e a outras obrigações previstas no Propag.

Declaração oficial

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Corrêa, afirmou: “Foi intenso e complexo desde a elaboração e tramitação do projeto de lei na Assembleia. O sucesso dessa operação reflete o compromisso do governo do Estado, não só com a universalização do saneamento, mas com o desenvolvimento econômico e social, que vai ser marcado principalmente pelos importantes investimentos que serão feitos a partir desse processo que foi construído até aqui na área nas áreas de infraestrutura, educação e segurança pública”.

Tramitação do processo

O processo de desestatização avançou nos últimos meses. Em maio de 2026, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) autorizou o prosseguimento, após concluir que o governo e a companhia cumpriram todas as exigências legais. Em junho, o governo aprovou o preço de R$ 49,03 por ação na oferta pública secundária. A Equatorial foi escolhida como investidora de referência na última semana antes da conclusão.

A oferta pública de ações foi coordenada pelo Banco BTG Pactual S.A., com participação do Itaú BBA, Bank of America Merrill Lynch, Citigroup Global Markets e UBS BB. Em janeiro de 2026, as ações ordinárias da Copasa (CSMG3) passaram a integrar o Ibovespa.

No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou lucro líquido de R$ 368,1 milhões e receita líquida de R$ 2,1 bilhões, impulsionados pelo reajuste tarifário no início do ano.

Perfil da Equatorial

A Equatorial Energia é o terceiro maior grupo de distribuição de energia elétrica do Brasil em número de clientes. Fundada em 1999, opera sete concessionárias nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul, Amapá e Goiás, atendendo cerca de 13 milhões de consumidores. Recentemente, a empresa ingressou no setor de saneamento e adquiriu 100% da Echoenergia S.A., ampliando sua atuação em energias renováveis.