A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) teve 30% de suas ações adquiridas pelo grupo Equatorial em leilão realizado na última semana. O mesmo grupo tornou-se acionista de referência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em julho de 2024.
De acordo com a reportagem do Brasil de Fato, desde a privatização da Sabesp, as reclamações de usuários sobre a qualidade do serviço aumentaram 70%. O tempo de resposta para solução de problemas cresceu, e relatos de interrupção no fornecimento de água, especialmente à noite, tornaram-se mais frequentes. Moradores também apontam alteração na cor da água, com tons amarelados, turvos e marrons.
Ainda segundo a matéria, a Sabesp, sob controle da Equatorial, teria sido ineficiente no reparo de vazamentos. Trabalhadores foram demitidos, reduzindo o número de especialistas. Acidentes em obras da empresa deixaram pelo menos quatro mortos. Há indícios de corrupção, e a prioridade teria passado a ser a geração de lucro, em detrimento do acesso a água e saneamento.
O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ingressaram com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para invalidar o processo e exigir um referendo popular sobre a privatização da Copasa. Entidades sindicais pressionam o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para anular a desestatização, apontando irregularidades. O ex-presidente do conselho da empresa, indicado pelo governador Romeu Zema (Novo), teria confessado pagamento de propina para vender contratos de saneamento.
Movimentos populares realizaram, em 2024, o Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais, no qual mais de 95% dos participantes se manifestaram contra a privatização da Copasa, conforme a reportagem.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.