A bolsa brasileira é considerada atualmente a mais barata do mundo. O levantamento da empresa Nomos com base em dados da Bloomberg observa a relação entre preço e lucro das empresas listadas.

A pesquisa mostra que o Ibovespa negocia a apenas 8,1 vezes os lucros projetados, bem abaixo da média dos mercados emergentes, de 11,9 vezes, e distante da média global, de 15,8 vezes.

Muito abaixo de Japão e Estados Unidos

O principal índice da B3 está mais distante ainda das bolsas mais valorizadas do mundo como a do Japão em que o índice Nikkei teve o indicador 25,7 vezes e Nasdaq – a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos – a 25,3 vezes.

Desconforto

Em tese, uma bolsa barata deveria atrair uma forte entrada de recursos. Mas, no caso brasileiro, o desconto reflete uma combinação de fatores que há anos pesam sobre a percepção dos investidores.

Entre eles estão as incertezas fiscais, a instabilidade política recorrente em períodos eleitorais e a dificuldade do país em oferecer previsibilidade de longo prazo para quem pretende investir.

Ambiente inseguro

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, avalia que a desvalorização do mercado acionário brasileiro está diretamente ligada a esse ambiente de insegurança.

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Segundo ele, a falta de previsibilidade futura e a elevada concentração de algumas empresas dentro do Ibovespa ajudam a explicar por que as ações brasileiras continuam negociadas com desconto em relação a outros mercados.

A Selic alta, de novo ela

Outro fator que reduz o apetite pela renda variável são os juros elevados. Com títulos públicos e aplicações de renda fixa oferecendo retornos considerados atrativos e com menor risco, muitos investidores optam por deixar recursos fora da bolsa.

Esse movimento limita a valorização das ações e dificulta que empresas utilizem o mercado de capitais como fonte de financiamento para novos investimentos, “A situação fiscal extremamente apertada e o aumento de gastos obrigatórios geram insegurança sobre a capacidade do governo de organizar as contas públicas no médio prazo”, alerta Agostini.

Investidores estrangeiros

Sobre a atual situação da bolsa, Daniel Duque, economista e pesquisador da FGV, avalia que além das questões domésticas existe uma influência importante do cenário internacional sobre o comportamento dos investidores estrangeiros.

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Ele destaca que os conflitos geopolíticos e as oscilações no preço do petróleo continuam exercendo forte impacto sobre a bolsa brasileira, especialmente porque empresas ligadas a commodities possuem peso relevante no índice.

Forte volatilidade

Duque observa ainda que o fluxo internacional de capital tem sido marcado por forte volatilidade. Em momentos de maior aversão ao risco, investidores estrangeiros reduzem exposição a países emergentes e direcionam recursos para mercados considerados mais seguros.

Esse comportamento ajuda a explicar parte das oscilações recentes da B3, mesmo em um cenário em que os preços das ações brasileiras parecem bastante descontados.

Otimismo com o futuro

Apesar dos desafios, Agostini e Duque enxergam potencial para uma recuperação mais consistente caso o país consiga avançar na agenda fiscal e reduzir as incertezas políticas.

Enquanto isso não acontece, a bolsa brasileira segue convivendo com uma situação paradoxal: é uma das mais baratas do planeta, mas ainda encontra dificuldades para convencer investidores de que o desconto representa uma oportunidade e não apenas um reflexo dos riscos que cercam a economia brasileira.

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