Pesquisa divulgada na última terça-feira pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec revela uma mudança na percepção da população sobre problemas ambientais. Enchentes e alagamentos são apontados como o principal problema ambiental em cinco das dez maiores capitais brasileiras. No total da amostra, a poluição do ar caiu para a segunda posição, aparecendo em primeiro lugar apenas na cidade de São Paulo.

O levantamento indica que as pessoas estão mais atentas às consequências de eventos climáticos severos. Enchentes e alagamentos, cada vez mais fortes e frequentes, geram impacto direto na vida da população. Para o coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, as questões ambientais deixaram de ser vistas como secundárias ou distantes, e a ciência há décadas alerta para a necessidade de reduzir as emissões de carbono.

Outro dado da pesquisa mostra que, quando questionados sobre os principais impactos das mudanças climáticas, o calor excessivo lidera com 33% das menções, seguido pela poluição do ar (22%). Em terceiro lugar, com 15%, aparece o aumento do preço dos alimentos, indicando que parte dos entrevistados já percebe o impacto econômico das mudanças climáticas.

Em relação às ações que os governos devem adotar, o controle do desmatamento e da ocupação de áreas de manancial aparece em primeiro lugar; ampliar áreas de preservação ambiental, em segundo; e reduzir o uso de combustíveis fósseis, em terceiro. A diferença percentual entre as respostas é pequena, mas o desafio é grande, pois as medidas precisam ser adotadas de forma conjunta pelos três níveis de governo.

No caso das enchentes, o problema é estrutural e histórico nos grandes centros urbanos, resultante de um modelo de urbanização que ignora a dinâmica natural dos rios e privilegia a impermeabilização do solo. A responsabilidade é sobretudo dos governos municipais e estaduais.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que participou do evento de lançamento da pesquisa, defendeu a criação de um marco regulatório e uma governança composta por comitê técnico, conselho nacional e autoridade climática, com foco em prevenção e mudanças nos planos diretores municipais.

Atualmente, mais de 1.900 municípios brasileiros são considerados vulneráveis do ponto de vista climático, boa parte deles no estado de São Paulo. A pesquisa sugere que a maior conscientização da população pode influenciar a tomada de decisão na esfera pública, direcionando investimentos para problemas estruturantes.

Com informações de Folha — Ambiente.