O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2025, voltado a formandos de cursos de Licenciatura, tem sido alvo de críticas de especialistas em educação. Segundo eles, a prova prioriza temas de cunho ideológico em detrimento de conhecimentos técnicos essenciais para a formação de professores. O exame é aplicado pelo Ministério da Educação (MEC) em um contexto em que 52% dos cursos de licenciatura na modalidade a distância são considerados insuficientes.

Entre as questões que geraram controvérsia estão perguntas sobre o uso de nome social por adolescentes no ambiente escolar, a eficácia das vacinas com base no Programa Nacional de Imunizações, o sistema de cotas como conquista social e referências a entidades de religiões de matriz africana, como Exu e Ogum, para discutir opressão na escola.

Doutores em educação afirmam que a prova negligenciou competências fundamentais, como gramática, sintaxe e métodos de ensino. Para os críticos, o exame exige respostas alinhadas a visões ideológicas específicas, em vez de avaliar se o futuro professor domina o conteúdo que deverá ensinar. Um dos casos citados envolve uma estudante de 15 anos com registro civil masculino que desejava usar nome social; com base em uma resolução do MEC de 2018, o candidato deveria identificar que a escola é obrigada a aceitar o pedido, desde que formalizado pelos responsáveis legais.

Especialistas apontam que a prova foca em temas como 'literatura negra' e 'LGBTfobia', mas evita questões técnicas de fonética ou figuras de linguagem. O argumento é que isso contribui para o baixo desempenho dos alunos brasileiros em exames como o Pisa, já que a formação dos professores não prioriza a capacidade de interpretar textos e dominar a norma culta.

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do exame, foram procurados para comentar as afirmações sobre o viés das questões e a negligência de conteúdos técnicos, mas não enviaram resposta até o momento.

Com informações de Gazeta do Povo.