A Embraer vive um momento de otimismo, impulsionada por marcos comerciais e novas fronteiras de negócios. Durante a Assembleia Geral da IATA, no Rio de Janeiro, o presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, concedeu entrevista à CNN Brasil e detalhou os planos para os próximos anos, que incluem a expansão na Índia e nos Estados Unidos, além de investimentos em aeronaves elétricas.
A empresa atingiu a marca histórica de 500 aeronaves vendidas da família E2 de jatos comerciais, com uma carteira de pedidos que soma US$ 7,6 bilhões. Segundo Gomes Neto, o volume garante quase cinco anos de entregas e dá previsibilidade para resultados sólidos.
Desafios na cadeia de suprimentos
O executivo reconheceu que a Embraer também sofre com gargalos na cadeia de suprimentos, mas afirmou que a empresa se estruturou para trabalhar em estreita colaboração com fornecedores tradicionais. "Temos percebido uma melhora gradual na cadeia de suprimentos de alguns meses para cá", disse, acrescentando que não prevê dificuldades extraordinárias para cumprir o plano de entregas deste ano.
Eficiência do E2 em meio a custos elevados
Em um cenário de custos operacionais elevados, Gomes Neto destacou que o E2 é o jato de corredor único mais eficiente do mercado na categoria de até 150 assentos. "Ele consome substancialmente menos combustível e possui um custo por viagem imbatível", afirmou. O modelo é apontado como ideal para complementar frotas de aviões maiores, abrindo novas rotas em cidades médias ou trechos curtos.
No Brasil, o E2 passará a ser operado em breve por uma segunda grande companhia doméstica (Latam), além da Azul. Gomes Neto revelou que a empresa trabalha para convencer uma terceira operadora (Gol) a introduzir o modelo em sua malha.
IATA como vitrine comercial
O presidente da Embraer classificou o valor comercial da Assembleia Geral da IATA como "altíssimo". A empresa montou uma operação logística para levar potenciais clientes do Aeroporto Santos Dumont até a fábrica em São José dos Campos a bordo do E2, em cerca de 24 voos durante o evento. "O cliente tem a oportunidade única de testar o produto em voo e, logo em seguida, conhecer a nossa linha de montagem", explicou.
Defesa: KC-390 e as negociações com Índia e EUA
Na divisão de Defesa, o cargueiro KC-390 Millennium avança como substituto do Hércules americano. Gomes Neto planeja acelerar a produção e detalhou negociações com dois parceiros estratégicos: Índia e Estados Unidos.
Na Índia, a Embraer participa de uma concorrência para fornecer de 60 a 80 aeronaves, com parceria da Mahindra para montagem local. A decisão final é esperada até o final de 2027. Nos EUA, a empresa desenvolve a integração de sistemas de reabastecimento em voo para caças da Força Aérea Americana, com potencial para uma linha de montagem local. "São mercados com potencial extraordinário que sequer estão precificados no nosso planejamento de curto prazo", afirmou.
O futuro elétrico
Sobre a aviação elétrica, Gomes Neto disse que a Embraer desenvolve o eVTOL (aeronave 100% elétrica de decolagem e pouso vertical) por meio da Eve, voltado para mobilidade urbana de curtas distâncias. No entanto, para jatos comerciais de 100 a 150 passageiros, a solução continuará sendo motores a combustão alimentados por Combustível Sustentável de Aviação (SAF). "É aí que reside o verdadeiro vetor de descarbonização do setor", concluiu.
Com informações de CNN Brasil.