O presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou neste sábado (6) que algumas companhias aéreas estão adiando decisões sobre o exercício de opções de compra de aeronaves, em meio às incertezas relacionadas à guerra no Irã, que elevou os preços do combustível de aviação. A declaração foi dada à agência Reuters durante a cúpula anual da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), no Rio de Janeiro.
Segundo Gomes Neto, a fabricante brasileira de aviões não recebeu pedidos para adiar entregas nem observou desaceleração nas campanhas de vendas ativas, mas começa a surgir cautela em relação aos compromissos incrementais. “Algumas empresas que poderiam estar exercitando as opções de venda que foram firmadas anteriormente estão deixando isso um pouco mais para frente, para entender melhor como é que vai ficar essa situação”, disse.
A carteira de pedidos comerciais da Embraer cobre quase cinco anos de entregas. A empresa continua a realizar várias campanhas de vendas para sua família E2 e espera fechar alguns acordos durante o Farnborough Airshow, no Reino Unido, no próximo mês.
A Embraer busca aproveitar negócios recentes, como acordos com a Finnair para 18 aeronaves e com a arrendadora Azorra para 15, após um ano sólido em 2025. A empresa acredita que a eficiência de combustível do E2 pode aumentar a demanda pela família. “Várias campanhas estão em andamento”, disse Gomes Neto, acrescentando que o momento dos possíveis negócios depende em grande parte dos clientes. “Não sei se 2026 vai ser tão bom como o ano passado. Mas a gente está animado, sim, acho que vai ser um bom ano para a aviação comercial também.”
A Embraer mantém a meta de aumentar a produção, com ambição interna de entregar entre 95 e 100 aeronaves comerciais em 2027. Para este ano, a perspectiva é de entregar de 80 a 85 aviões. Gomes Neto enfatizou que a meta depende mais da suavização das cadeias de suprimentos do que da resolução de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã. Os gargalos que afetaram o setor desde a pandemia estão melhorando gradualmente, segundo ele.
A empresa também pretende melhorar as margens em sua unidade de aviação comercial. Gomes Neto disse que a Embraer renegociou alguns contratos mais antigos, que apresentavam menor lucratividade, e espera que uma demanda mais forte por novos negócios sustente melhores preços.
Com informações de Folha — Mercado.