A representação dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA) enfrenta uma crise interna que resultou na saída de ao menos quatro diplomatas de alto escalão nos últimos meses, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters. As baixas incluem o vice-chefe da missão, o chefe de gabinete, um conselheiro político sênior e outro integrante do serviço diplomático, deixando praticamente toda a liderança da delegação americana na entidade vaga.

Saídas em massa e gestão confrontadora

As demissões e pedidos de desligamento refletem um ambiente de trabalho conturbado sob o comando do embaixador Leandro Rizzuto Jr., nomeado pessoalmente pelo presidente Donald Trump. De acordo com fontes, parte dos funcionários rompeu com Rizzuto por causa de seu estilo de gestão, descrito como confrontador e imprevisível. Em um episódio específico, o embaixador teria comparado a funcionários que levaram preocupações diretamente à liderança do Departamento de Estado a “ratos”.

“Sou um homem de negócios. O que importa são os resultados. Se alguém não consegue fazer o trabalho, prefiro que tenha outro emprego”, afirmou Rizzuto à Reuters, defendendo sua gestão.

Segundo ele, o objetivo é redirecionar o foco da OEA, reduzindo a ênfase em temas como democracia e direitos humanos e ampliando a atenção a questões econômicas. O Departamento de Estado não comentou os conflitos.

Histórico de controvérsias

A trajetória de Rizzuto já era marcada por polêmicas. Herdeiro de uma fortuna do setor de cosméticos e amigo de Trump, ele foi indicado para embaixador em Barbados no primeiro mandato republicano, mas a indicação fracassou após a divulgação de publicações em redes sociais com teorias conspiratórias, incluindo alegações falsas contra o senador Ted Cruz. Posteriormente, serviu nas Bermudas e, no segundo mandato de Trump, conseguiu confirmação para a OEA.

Três fontes relataram que, após assumir o cargo, Rizzuto mandou instalar um grande retrato a óleo de si próprio no salão principal da missão americana. Questionado, o embaixador não respondeu.

Mudanças na diplomacia americana

As saídas na OEA ocorrem em um contexto mais amplo de reformulação do corpo diplomático dos EUA promovida pela administração Trump. Desde o retorno do republicano à Casa Branca, centenas de funcionários foram dispensados em cortes coletivos e dezenas de embaixadores de carreira perderam seus postos, muitos sem substituição imediata. Especialistas apontam que o processo tem enfraquecido a capacidade técnica e a experiência acumulada da diplomacia americana em um momento de crescente disputa por influência na América Latina.