“Nós somos do tempo do samba sem grana, sem glória”, entoa Jorge Aragão na letra de Moleque Atrevido, canção de 1999 sobre o aumento da popularidade do gênero musical — processo que ele testemunhou desde os anos 1970, quando começou com o grupo de pagode Fundo de Quintal. “Enfrentando no peito um certo preconceito e muito desdém/ Hoje em dia é fácil dizer que essa música é nossa raiz/ Tá chovendo de gente que fala de samba e não sabe o que diz/ Por isso vê lá onde pisa, respeite a camisa que a gente suou/ Respeite quem pode chegar onde a gente chegou.”
Se já era uma espécie de hino de vitória do samba há quase três décadas, agora, a canção ganha novo impacto: o ritmo que furou todas as bolhas pelas quais já passou, expandindo seu alcance e se impondo como parte da identidade brasileira, reafirma seu poder com a bem-sucedida turnê O Maior Encontro do Samba. O projeto que une Aragão, 77 anos, e os amigos Zeca Pagodinho, 67, e Alcione, 78, com realização da produtora 30e, lotou duas apresentações no estádio Nubank Parque, antigo Allianz, em São Paulo, neste fim de semana, após uma estreia impactante no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 6 de junho — tríade de shows que soma 165.000 espectadores. Na plateia, a diversidade era regra: negros e brancos sambavam lado a lado, jovens e idosos cantavam os hits, enquanto casais héteros e homoafetivos se abraçavam nas canções românticas.
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Ao longo de duas horas de show, os veteranos, devidamente acomodados em cadeiras no centro do palco, como em uma roda de samba, se intercalaram entre solos e cantorias em trio. Nas mesas de apoio, Zeca estava munido de uma taça de vinho – constantemente reabastecida pela equipe dos bastidores –, enquanto Aragão e Alcione ficaram na água e no cafézinho. “Ele sempre foi careta, mas é um ótimo compositor”, brincou Zeca após a recusa de Aragão a um drink no show de sábado. Na metade da apresentação, o trio virou um quarteto, com a chegada de Martinho da Vila. Ao fim, Arlindinho Cruz subiu ao palco e celebrou a memória do pai, Arlindo Cruz.
Para além da reunião de bambas, o espetáculo encantou os presentes ao se adequar aos padrões atuais de superproduções: telões enormes de alta resolução exibiam obras de arte e cenas históricas mescladas a imagens dos três ao vivo, enquanto o maestro Pretinho da Serrinha, que assina a direção musical, regia a banda formada para a turnê. Ao fim, fogos de artifício arrematavam o clima de festa.
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O Maior Encontro do Samba ainda se apresenta em Brasília, no dia 19 de setembro, na Arena BRB Mané Garrincha; retorna a São Paulo em 31 de outubro; segue para Curitiba, em 7 de novembro, na Arena da Baixada; Porto Alegre, em 14 de novembro, no Estádio Beira-Rio; Belo Horizonte, em 28 de novembro, no Mineirão; e fecha a agenda deste ano em Salvador, no dia 19 de dezembro, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova.
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