Em um bar em Astoria, no Queens, bairro nova-iorquino com forte presença de imigrantes, cerca de 20 brasileiros tiveram que esperar o fim de uma partida de golfe para que os televisores fossem sintonizados no amistoso entre Brasil e Egito, neste sábado (6). O jogo já havia começado havia quase oito minutos quando alguém percebeu.
Após insistência, as telas passaram a exibir a partida da seleção brasileira, mas houve confusão inicial porque a seleção feminina também jogava no mesmo dia. Quando a troca foi feita, Bruno Guimarães já havia marcado o primeiro gol. Os brasileiros vibraram com o replay, mas a reação foi tímida no empate do Egito. No restante do bar, com centenas de pessoas, o futebol parecia secundário, com a maioria envolvida em conversas, refeições e até dança country.
Entre os torcedores, o assunto principal não era o desempenho em campo, mas o custo para acompanhar a Copa. João Santos, 31, analista de ações, reclamou: “Já imaginava que seria caro, mas não tanto. O mais barato que encontrei agora está mais de US$ 9.000 (R$ 46,5 mil).” Leandro Leite, 25, também analista, planeja ver jogos do Brasil no mata-mata, mas acha complicado gastar sem saber o adversário.
Na Times Square, o futebol desaparecia no meio de telas gigantes, luzes e multidões. Uma celebração da comunidade filipina tomava um quarteirão, com música e bandeiras. No Celtic Pub, um dos poucos locais com TVs sintonizadas nos amistosos, o bar estava vazio, exibindo EUA x Alemanha sem torcida. O garçom Arthuro Tacuri, 41, equatoriano, disse: “Os americanos não ligam para o futebol. Só querem saber dos Knicks na final da NBA.”
No bar em Astoria, a hierarquia só mudou nos minutos finais, quando um temporal obrigou clientes e funcionários a se aproximarem das TVs — não pelo futebol, mas pela chuva forte. O Brasil venceu por 2 a 1, e talvez consiga despertar mais interesse quando a Copa começar de fato.
Com informações de Folha — Esporte.