Elon Musk recebeu uma remuneração de US$ 132,3 bilhões (R$ 667,8 bilhões) no último ano, valor que equivale a 2,5 milhões de vezes o salário de um funcionário típico da Tesla. Os dados são da pesquisa anual da Equilar para o The New York Times, que aponta Musk como o CEO mais bem pago dos Estados Unidos, com ganhos 153 vezes superiores aos do segundo colocado.

Dylan Field, CEO da Figma, ficou em segundo lugar com US$ 864,4 milhões (R$ 4,4 bilhões), seguido por Shankh Mitra, da Welltower, que recebeu US$ 821 milhões (R$ 4,2 bilhões). O estudo revelou que outros sete CEOs de empresas de capital aberto tiveram pagamentos de pelo menos US$ 100 milhões no ano passado, um recorde.

Disparidade salarial atinge novo pico

A remuneração mediana dos cem CEOs mais bem pagos alcançou US$ 39,4 milhões (R$ 201,8 milhões), um salto de 35,8% em relação ao ano anterior. A proporção entre o pagamento dos executivos e o salário mediano dos trabalhadores subiu para 475 vezes, o maior nível já registrado pela pesquisa, que teve início em 2007.

Em 2018, a SEC passou a exigir que empresas de capital aberto comparassem a remuneração dos executivos com o salário do trabalhador mediano. Naquele ano, a proporção era de 334 para 1. Desde então, oscilou até atingir o pico atual, refletindo uma aceleração na expansão dos pacotes de remuneração.

Pacotes bilionários e desafios judiciais

Antes do último prêmio, Musk já havia recebido em 2018 um pacote avaliado inicialmente em US$ 2,2 bilhões, mas que, após o cumprimento de metas ambiciosas, passou a valer US$ 127,7 bilhões. Somando todas as ações da Tesla, sua riqueza na empresa chega a US$ 301 bilhões, sem incluir o novo pacote, que já vale aproximadamente US$ 178 bilhões devido à valorização das ações.

Além disso, a participação de Musk na SpaceX, que se prepara para um IPO com avaliação de US$ 1,8 trilhão, pode valer até US$ 864 bilhões (R$ 4,4 trilhões), colocando-o no caminho para se tornar o primeiro trilionário do mundo. Musk controla cerca de 85% das ações com direito a voto na SpaceX, após transferir o domicílio legal da empresa para o Texas em 2024.

Em 2024, um juiz de Delaware decidiu que os acionistas da Tesla não foram devidamente informados sobre o valor real do pacote de 2018. No entanto, a Suprema Corte de Delaware restaurou os direitos de Musk em dezembro, e os acionistas aprovaram novos prêmios em 2024 e 2025. A Tesla também transferiu seu domicílio legal para o Texas, onde o ambiente corporativo é considerado mais favorável.

Retorno aos acionistas

A pesquisa da Equilar calculou que o retorno mediano aos acionistas das empresas com os CEOs mais bem pagos foi de 14,6% ao ano desde 2011, cerca de meio ponto percentual acima do retorno anualizado do S&P 500 no período. As ações da Tesla, desde o IPO em 2010, retornaram quase 42% ao ano, ou mais de 26.000% cumulativamente, segundo a FactSet.

Apesar das críticas à disparidade salarial — o economista Peter Drucker defendia que CEOs ganhassem no máximo 20 vezes o salário dos funcionários —, a maioria dos investidores tem focado na valorização das ações. Na Welltower, os acionistas desaprovaram o pacote de US$ 821 milhões de Mitra em uma votação consultiva, mas a medida não era vinculante.

Com informações de Folha — Mercado.