A apuração das eleições presidenciais no Peru continua sem um vencedor definido na manhã desta segunda-feira (8). Com mais de 92% dos votos válidos contabilizados, a candidata do partido Força Popular, Keiko Fujimori, registra 50,2% dos votos, enquanto o representante da esquerda, Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, obtém 49,7%. A diferença entre os dois é de aproximadamente 86 mil votos.

As pesquisas de boca de urna realizadas após o fechamento das seções eleitorais no domingo (7) já indicavam uma disputa acirrada, com ligeira vantagem para a herdeira do ex-ditador Alberto Fujimori. O primeiro turno foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude, mas a votação final transcorreu sem incidentes.

Perfil dos candidatos

Keiko Fujimori, de 51 anos, disputa a presidência pela quarta vez consecutiva, tendo sido derrotada no segundo turno nas três ocasiões anteriores. Formada em administração nos Estados Unidos, ex-parlamentar e líder do Força Popular, ela se apresenta como uma profissional da política. Esta é a primeira eleição sem o apoio físico de seu pai, Alberto Fujimori, falecido em 2024.

O sobrenome Fujimori atrai um eleitorado fiel que associa o ex-presidente ao controle da hiperinflação e à derrota de grupos guerrilheiros, como o Sendero Luminoso, na década de 1990. Por outro lado, gera forte rejeição devido ao histórico de autoritarismo, corrupção e violações de direitos humanos. Keiko enfrenta pendências judiciais, tendo passado mais de um ano em prisão preventiva por suspeita de lavagem de dinheiro no escândalo da Odebrecht.

Roberto Sánchez, psicólogo de 57 anos, se apresenta como o candidato do “Peru profundo”, representando a população pobre e rural. Ele usa o chapéu de palha herdado do ex-presidente Pedro Castillo como símbolo identitário andino. Sánchez foi ministro do Comércio e Turismo no breve governo de Castillo, destituído e preso em 2022 após tentar um autogolpe. O candidato visita Castillo com frequência e promete indultá-lo se eleito.

Fundador do partido Juntos pelo Peru, sua candidatura cresceu após uma aliança com Castillo. Sua base eleitoral mais forte está nas populações rurais e pobres do sul dos Andes, capitalizando o voto de protesto e o eleitorado remanescente do “castillismo”. Sánchez defende a ruptura com o modelo econômico liberal da Constituição de 1993, propõe uma Assembleia Constituinte, a criação de um Estado plurinacional e a eleição popular de juízes e promotores. Ele se define como “homem de fé”, “pró-vida” e “pró-família”, tendo frequentado um seminário católico na juventude.

Após avançar ao segundo turno, o Ministério Público peruano reativou um caso contra Sánchez por suposta falsificação de informações sobre doações em sua campanha legislativa entre 2018 e 2020.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.