Uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais peruanas, a apuração dos votos ainda não foi concluída e a disputa entre os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez permanece em aberto. De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE), com 98,5% das urnas contabilizadas, a candidata conservadora Fujimori acumula 50,051% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Sánchez tem 49,949%. A diferença entre os dois é de apenas 18.488 votos.
Votação no exterior define vantagem
No início da apuração, Fujimori liderava com base nas pesquisas de boca de urna e nos primeiros boletins oficiais. No entanto, à medida que os votos das zonas rurais foram sendo computados, Sánchez reduziu a diferença e chegou a assumir a liderança momentânea. A reta final da contagem voltou a favorecer a candidata conservadora com a apuração dos votos de peruanos residentes no exterior. Nesse segmento, Fujimori obteve 63,3% dos votos, contra 36,6% de Sánchez, com 95,1% das urnas do exterior já apuradas.

Desafios logísticos e possíveis contestações
A demora na apuração não é considerada incomum no Peru. O país utiliza cédulas de papel em suas eleições e enfrenta desafios geográficos significativos: em regiões de selva e montanha, o transporte das atas eleitorais depende de barcos, longas viagens por terra e deslocamentos por áreas sem estradas. O resultado oficial pode levar dias ou até semanas para ser proclamado, especialmente se houver questionamentos ou impugnações às atas eleitorais por parte das campanhas.
A situação mantém o país em suspenso, com a população aguardando a definição do próximo presidente peruano em um cenário de empate técnico e alta polarização política.