O fenômeno El Niño se estabeleceu no Oceano Pacífico equatorial e pode se tornar um dos mais intensos já registrados desde 1950, conforme atualização divulgada pela agência norte-americana NOAA nesta quinta-feira (11). A previsão aponta 63% de probabilidade de um evento muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

O boletim indica que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico central e leste se intensificou nas últimas semanas. O índice Niño 3.4, principal referência para o monitoramento, atingiu +0,7°C na última medição semanal, enquanto áreas mais a leste registraram anomalias de até +2,1°C.

Resposta atmosférica acelerada

O diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Vasconcelos Júnior, destacou que a atmosfera já reage de forma intensa ao aquecimento oceânico. O Índice de Oscilação Sul (SOI) alcançou -22,3, valor mais negativo que o observado durante o forte El Niño de 2015-2016, quando o menor registro foi próximo de -20.

“Em maio, a anomalia na região Niño 3.4 foi de 0,49°C, apenas um centésimo abaixo do limiar de 0,5°C. Mais importante é que a atmosfera já está reagindo de forma muito intensa”, explicou Vasconcelos.

Segundo o pesquisador, há um grande volume de calor armazenado abaixo da superfície do Pacífico equatorial, especialmente nas regiões central e leste. Essa energia está emergindo gradualmente e deve alimentar o fortalecimento do fenômeno, com probabilidade superior a 60% de intensidade moderada entre julho e setembro e mais de 80% de evento forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

A NOAA também destacou ventos anômalos de oeste em baixos níveis e de leste em altos níveis, além do aumento da atividade convectiva sobre o Pacífico central, sinais típicos da instalação do El Niño.

A Funceme informou que continuará monitorando semanalmente os indicadores e atualizando as projeções climáticas para a sociedade.

Com informações de Governo do Ceará — leia a matéria original.