A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) o início do fenômeno climático El Niño. Segundo a agência, há 63% de probabilidade de que o evento atinja a categoria 'muito forte' entre 2026 e 2027, o que informalmente é chamado de 'Super El Niño'. Essa classificação está associada a um maior risco de enchentes, incêndios florestais, deslizamentos e tempestades extremas.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre a cada 2 a 7 anos, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas equatoriais do Oceano Pacífico. Os cientistas consideram que o evento teve início quando a temperatura dessa região fica 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos. Quanto maior o aquecimento, maior a intensidade: quando ultrapassa 2°C, o NOAA o classifica como 'muito forte'.
O fenômeno se alterna com a La Niña, que é o esfriamento das mesmas águas, e com períodos de neutralidade. Embora o ciclo seja natural, o aquecimento global causado pela ação humana intensifica as consequências, tornando eventos extremos mais frequentes e severos.
Impactos no Brasil
O último El Niño, ocorrido entre 2023 e 2024, contribuiu para a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul, com enchentes recordes, além de seca na África Austral e de colocar 2024 como um dos anos mais quentes já registrados. O novo evento, se confirmado como 'Super El Niño', pode trazer padrões semelhantes, de acordo com observações de décadas recentes:
- Aumento das temperaturas médias em grande parte do país, com possíveis ondas de calor.
- Região Sul: aumento intenso das chuvas, podendo causar enchentes.
- Região Norte: redução das chuvas, especialmente ao norte, elevando o risco de incêndios florestais.
- Região Nordeste: diminuição das chuvas na metade norte.
- Regiões Sudeste e Centro-Oeste: impactos variáveis, com tendência de aumento de temperatura e de chuvas.
Essas alterações climáticas afetam setores como agronegócio, disponibilidade hídrica e geração de energia elétrica.
Incertezas e monitoramento
As previsões sobre datas e intensidade do El Niño são probabilísticas. Diferentes institutos de pesquisa podem chegar a resultados distintos conforme a metodologia adotada. A NOAA e outras agências atualizam suas projeções com base em observações em tempo real. O último 'Super El Niño' registrado ocorreu em 2015-2016; já o de 2023-2024 não foi classificado como 'muito forte' pela maioria das agências.