Dois anos após as enchentes recordes que devastaram o sul do Brasil, comunidades ainda em reconstrução se preparam para um El Niño intenso, que meteorologistas alertam poder trazer chuvas extremas neste ano. Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, os escombros de casas demolidas e marcas d'água nos tetos lembram a tragédia de maio de 2024, a pior enchente da história do país, com ao menos 181 mortos.
Moradora do bairro Sarandi, Marilian Fontoura expressou o temor de nova catástrofe. “As pessoas estão com medo”, disse ela, mostrando manchas de água que chegam ao teto de sua casa. “Se chover de novo, se for outro temporal, outra enchente, aí o que acontece? A gente perde tudo de novo.”
Obras e preparativos
O prefeito Sebastião Melo afirmou que a cidade está mais segura do que em 2024 e que trabalha para reparar estações de bombeamento, reconstruir diques e melhorar comportas. Nesta semana, a empresa de água e esgoto de Porto Alegre selecionou um consórcio para obras de proteção contra enchentes financiadas pelo estado, no valor de aproximadamente 24,2 milhões de reais (US$ 4,7 milhões). “Especificamente para o El Niño, estamos acelerando alguns projetos imediatos que seriam construídos mais tarde”, disse Melo.
Contudo, a moradora Fontoura aponta projetos paralisados, como um dique nas proximidades, que enfrenta disputas de desapropriação entre moradores e a prefeitura. O governo estadual também investe: 38 milhões de reais em um centro de logística para operações em desastres e 33 milhões de reais em um programa de preparação para o El Niño, voltado a municípios vulneráveis.
Previsão de El Niño forte
Meteorologistas globais indicam que um forte El Niño — aquecimento periódico do Pacífico oriental que altera chuvas mundialmente — tem probabilidade crescente de se desenvolver no segundo semestre. A meteorologista Estael Sias destacou a intensidade projetada: “O que tem atraído muita atenção é a intensidade projetada”, afirmou, acrescentando que os modelos sugerem que o El Niño deste ano pode estar entre os mais fortes já registrados desde o início do monitoramento por satélite.