A seleção brasileira terá um encontro curioso no último amistoso antes da Copa do Mundo de 2026. Neste sábado, dia 6, às 19 horas (horário de Brasília), em Cleveland, nos Estados Unidos, o time canarinho enfrenta o Egito, que conta com dois jogadores que adotaram apelidos de craques brasileiros: Mostafa Zico e Nabil Emad Dunga.
Mostafa Mohamed Zaki Abdelraouf, atacante de 29 anos do Pyramids, tornou-se Mostafa Zico por admiração ao camisa 10 do Flamengo e da seleção de 1982. Ele nunca viu Zico jogar ao vivo, mas conheceu o ídolo por vídeos e pelas histórias do pai, falecido na infância do jogador. Em entrevista ao ge há seis meses, Mostafa afirmou: "Zico é meu modelo de jogador a seguir. Assisti aos vídeos dele, é o meu jogador favorito. Meu pai falava muito sobre ele, e eu assisti aos vídeos no YouTube".
Já o volante Nabil Emad, nascido em 1997, acrescentou Dunga ao nome em referência ao capitão do tetracampeonato mundial de 1994. Ele também não acompanhou a carreira do original, mas foi impactado pela figura do xerife brasileiro. Ambos estão em ascensão na seleção egípcia às vésperas do Mundial.
Mostafa Zico vive grande fase: marcou 15 gols na temporada, conquistou dois títulos e estreou pela seleção com um gol da vitória sobre a Rússia em amistoso. Ele saiu do banco de reservas para garantir o triunfo. Nabil Emad Dunga, por sua vez, é reserva frequente do técnico Hossam Hassan, soma 11 partidas pela equipe nacional e deve ter minutos na Copa do Mundo.
A convocação de Nabil Emad, no entanto, ocorre sob a sombra de uma denúncia de abuso sexual. Uma mulher italiana alega ter sido drogada e abusada pelo jogador em maio de 2025. Ela afirma que o caso "segue sob investigação" no Egito, sem progressos há um ano. Em relato nas redes sociais, a vítima declarou: "Minha vida mudou completamente desde aquela noite. Sofri e ainda sofro ataques de pânico, trauma contínuo e transtorno pós-traumático. Tentei fazer as coisas do jeito certo, por meio do sistema legal do Egito, mas depois de um ano não houve qualquer progresso relevante no meu caso. Enquanto isso, Dunga continua vivendo livremente: casou-se, foi do futebol egípcio para o saudita e agora vai para a Copa do Mundo".
Curiosamente, os verdadeiros Dunga e Zico nunca enfrentaram o Egito como jogadores. Brasil e Egito só se enfrentaram seis vezes na história, com um hiato de 46 anos que coincidiu com as carreiras dos ídolos. O reencontro ocorreu na Copa das Confederações de 2009, com Dunga como treinador, em vitória brasileira por 4 a 3. Depois, houve um amistoso em 2011, e as seleções não voltaram a se medir.
Após o amistoso, o Brasil estreia na Copa do Mundo no dia 13 contra Marrocos. O Egito de Dunga e Zico joga dois dias depois, contra a Bélgica.
Com informações de ge — Globo Esporte.