Eduardo Bolsonaro, Tom Cotton e Paulo Figueiredo no Senado dos EUA. Foto: reprodução
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou, na madrugada desta terça-feira (23), fotos ao lado de senadores dos Estados Unidos durante um jantar em Washington D.C. O encontro ocorre em meio à ofensiva da família Bolsonaro para ampliar contatos com a direita trumpista e à discussão sobre a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros.
No último fim de semana, seu irmão mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve com ele nos Estados Unidos e se inscreveu para discursar em uma audiência pública sobre as tarifas que o governo estadunidense quer implantar contra o Brasil, no que ficou conhecido como “TariFlávio”, por ser anunciada logo após um encontro com Donald Trump na Casa Branca.
Eduardo disse ter sido convidado pelo empresário George Heisel para um evento liderado por Tom Cotton, senador republicano pelo Arkansas. Em sua publicação, porém, o ex-deputado citou incorretamente Cotton como representante da Flórida.
Em uma das postagens, Eduardo afirmou ter ficado “extremamente impressionado” com o conhecimento do senador John Kennedy, republicano da Louisiana, sobre o cenário político brasileiro. Segundo ele, Kennedy passou a falar sobre o Brasil após ser apresentado como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
PLEASANT SURPRISE
I was extremely impressed that Senator @SenJohnKennedy, although elected by the state of Louisiana, was thoroughly familiar with Brazil’s deteriorating political situation.
When I was introduced to him as the son of @jairbolsonaro, he immediately began… pic.twitter.com/7bR93e4kbj
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) June 23, 2026
O ex-deputado disse que o senador mencionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao tratar do que chamou de “cenário de censura e perseguição no Brasil”. Também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi citado no jantar. “O nome de Lula também não é esquecido e as menções não são nada positivas”, escreveu.
Eduardo também relatou a presença do empresário Marcel Murgado, de origem cubana, e do jornalista Paulo Figueiredo. Em outra publicação, elogiou Tom Cotton, a quem descreveu como veterano da guerra do Afeganistão e presidente da Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos.
“Sempre é uma honra fortalecer laços com homens de coragem e princípios, que utilizam sua influência para defender a liberdade e enfrentar aqueles que a ameaçam”, afirmou.
O ex-deputado escreveu ainda que a campanha de Cotton “deverá contar com um forte apoio dos brasileiros na Flórida”, embora o senador represente o Arkansas. Segundo a imprensa local, Cotton venceu em março a primária republicana para disputar um terceiro mandato no Senado.
HAVE ALLIES
Senator Tom Cotton is a veteran of the war in Afghanistan and currently chairs one of the most important committees in the US Congress: the Senate Intelligence Committee.
It is always an honor to strengthen ties with men of courage and principle who use their… pic.twitter.com/YjAKn5F9lK
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) June 23, 2026
A agenda de Eduardo ocorre enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se posicionar no debate sobre o tarifaço. O senador se inscreveu para discursar em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), marcada para 6 de julho, sobre a proposta de tarifas contra o Brasil.
Aliados disseram ao Globo que Flávio deve defender a suspensão da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e também o Pix, alvo de críticas do governo Donald Trump por suposta concorrência desleal. O prazo para decisão dos Estados Unidos termina em 15 de julho.
No ofício ao USTR, Flávio afirma ter tratado do tema com Trump e com o secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio. O senador promete falar “contra a medida proposta e a favor de uma solução construtiva e negociada para as questões identificadas na investigação”.
“Duas posições são declaradas logo de início e de forma categórica. A testemunha opõe-se à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a qualquer medida voltada para o sistema público brasileiro de pagamentos instantâneos. Faz isso em nome dos consumidores e produtores de ambos os países e em defesa de uma parceria que tem servido aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz o pedido.