O ex-deputado Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira (15) para solicitar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retome as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorre na véspera do julgamento em que a Primeira Turma da Corte analisará uma denúncia de coação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Eduardo, acusado de pressionar ministros do STF e incentivar a taxação americana sobre o Brasil.
Apelo a autoridades americanas
Na postagem, redigida em inglês, Eduardo se dirige diretamente a Trump, ao secretário de Estado Marco Rubio e ao secretário do Tesouro Scott Bessent. O ex-parlamentar alega que “o Supremo Tribunal do Brasil está se preparando para me condenar em retaliação contra o pres. Trump”. Em seguida, classifica o STF como “tribunal político” e afirma que Trump conhece o uso do lawfare contra opositores. Ao pedir a reinstauração urgente de sanções contra Moraes, Eduardo considera que a suspensão das restrições, ocorrida em dezembro de 2024, foi “um erro grave”.
“Moraes está aguardando o retorno de uma administração democrata radical nos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o que estão fazendo comigo hoje. Considerem a audácia das acusações: eles afirmam que cometi um crime ao interagir com autoridades do governo americano. Tal alegação, na prática, trata a própria administração Trump como se fosse uma organização criminosa”, escreveu Eduardo.
Julgamento na Primeira Turma
Eduardo Bolsonaro responde a uma ação penal por coação no curso do processo. Na sexta-feira (12), a Defensoria Pública da União (DPU) solicitou ao STF o adiamento da sessão e a convocação de um ministro de outra turma para completar o quórum da Primeira Turma. O órgão argumenta que a vaga deixada pelo ministro Luiz Fux prejudica o julgamento e pode resultar em empate na votação.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, negou o pedido da defesa para adiar a sessão, mantendo-a para esta terça-feira (16). Procurado pela reportagem, o STF não se pronunciou até o momento sobre as acusações feitas por Eduardo. O espaço permanece aberto para manifestação.