A possibilidade de um acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã, que poderia aliviar as tensões geopolíticas no Oriente Médio, não é vista como fator decisivo para a trajetória dos juros no Brasil. Na avaliação do economista-chefe da Genial Investimentos, José Camargo, o principal elemento que dificulta a redução da taxa Selic é a política fiscal do governo federal, independentemente de conflitos externos.

Impacto limitado do cenário externo

Camargo aponta que, embora a redução de incertezas no Oriente Médio seja positiva para os mercados globais, esse fator não explica de forma relevante a piora nas perspectivas para os juros brasileiros. Para ele, a dinâmica doméstica, especialmente os gastos públicos, tem peso muito maior sobre as expectativas do mercado financeiro.

Pacote de R$ 200 bilhões sob análise

O economista faz referência a um pacote de medidas fiscais do governo Lula, estimado em R$ 200 bilhões, que estaria entre os principais motivos para a manutenção de uma política monetária contracionista. A percepção de uma atuação fiscal considerada agressiva pelo mercado eleva o prêmio de risco e pressiona a curva de juros para cima.

Dessa forma, segundo Camargo, mesmo que não haja conflitos internacionais relevantes, a taxa básica de juros (Selic) tende a permanecer em patamares elevados enquanto a política fiscal não for ajustada. A expectativa é que o Banco Central mantenha a taxa atual até que haja sinais concretos de controle dos gastos públicos e de compromisso com a sustentabilidade fiscal.