O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (19) que o governo pode reverter ainda em junho as medidas emergenciais de subsídio aos combustíveis, caso os preços internacionais do petróleo se estabilizem. A declaração foi dada em entrevista ao portal Jota.
Segundo Durigan, a definição depende do avanço do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. "Talvez semana que vem seja definitiva, ou no máximo na seguinte, mas acho que dentro do mês de junho a gente vai ter essa definição de que houve uma estabilização, as causas que geraram as medidas não estão mais existentes, portanto está na hora de reverter as medidas", afirmou o ministro.

Perspectiva para a Selic
Durigan também considerou que ainda há espaço para uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. Ele argumentou que o cenário internacional tende a um ambiente de desinflação com o fim das tensões no Oriente Médio, o que pode favorecer novos cortes de juros pelo Banco Central.
Na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas deixou os próximos passos em aberto, afirmando que avalia trajetórias alternativas para levar a inflação à meta em um horizonte mais longo.

Crédito e inflação
O ministro rebateu a avaliação de que linhas de crédito lançadas pelo governo estejam pressionando a inflação. Segundo ele, programas voltados à compra de motocicletas e automóveis por motoristas de aplicativo e taxistas não têm impacto macroeconômico relevante.
Banco Central e indicações
Durigan defendeu que o governo avance nas indicações para as duas diretorias do Banco Central que permanecem vagas desde janeiro. Embora a decisão caiba ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele considerou a nomeação importante do ponto de vista institucional. O ministro também afirmou que pretende retomar as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia orçamentária e financeira ao BC.

Ele disse concordar com o fortalecimento institucional da autoridade monetária, mas avaliou que o texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado apresenta problemas, como impactos sobre a contabilidade pública e ampliação dos poderes do BC. "Eu vou sem dúvida reabrir esse debate com Gabriel Galípolo, que já temos conversado sobre isso, com o presidente Lula", afirmou. Apesar das críticas, Durigan ressaltou que não pretende barrar a proposta no plenário, mas buscar um texto de consenso.
O ministro defendeu que o fortalecimento do BC deve passar por melhorias orçamentárias, reforço de sistemas, proteção ao Pix e ampliação do quadro de funcionários, e que dificuldades semelhantes atingem outras agências reguladoras.
Durigan repetiu que o caso envolvendo o Banco Master teve origem em falhas de supervisão da gestão anterior do Banco Central.
Investigação e crédito rural
Ao comentar a operação da Polícia Federal que atingiu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), Durigan afirmou ter confiança no parlamentar e destacou que ele não é réu nem investigado formalmente.
Sobre o crédito rural, o ministro disse que o governo está na fase final de elaboração do novo Plano Safra e que o volume de recursos deve ficar próximo ao do ciclo anterior, de R$ 593 bilhões, com possibilidade de novo recorde. A equipe econômica ainda define a distribuição entre as diferentes linhas de financiamento.
MEI e negociações internacionais
Durigan abordou a possibilidade de elevar o teto anual de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) dos atuais R$ 81 mil para cerca de R$ 130 mil. A mudança é discutida para 2027 e 2028, sem alterações no Simples Nacional, e deve ser encaminhada ao Congresso por projeto de lei complementar.
Sobre as negociações com os Estados Unidos para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros, Durigan afirmou que as tratativas são conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com novas reuniões marcadas com o representante comercial norte-americano Jamieson Greer.
Fim da escala 6x1 e permanência
O ministro descartou qualquer compensação às empresas pelo fim da escala de trabalho 6x1, em discussão no Congresso. "O empregador não era o dono daquele direito, que perde o direito e merece uma compensação. Juridicamente, não cabe falar em compensação", afirmou.
Ao final, Durigan disse que não discute uma eventual permanência no cargo caso o presidente Lula dispute e vença um quarto mandato.