Em nova reportagem da série sobre as relações entre a família Bolsonaro e o Banco Master, o Intercept divulgou documentos que detalham o fluxo financeiro para a produção do filme 'Dark Horse', que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Os registros incluem planilhas, contratos, comprovantes bancários e extratos financeiros.
Um dos principais documentos é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, que apresenta o cronograma de financiamento do projeto. O documento previa aportes totais de cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões), mas os valores efetivamente recebidos somaram US$ 10,6 milhões. O cronograma original estipulava 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 — dois de R$ 2 milhões e 12 de R$ 1,66 milhão —, mas nem todas as parcelas foram pagas.

A planilha foi enviada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com a observação: “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Vorcaro respondeu: “Segunda fazemos duas”. Meses antes, em 12 de março de 2025, Vorcaro havia encaminhado cronograma semelhante ao pastor Fabiano Zettel, seu cunhado e operador financeiro, conforme mensagens obtidas pelo Intercept.
Outro documento relevante é o comprovante da primeira transferência internacional, emitido pelo sistema SWIFT, datado de 13 de fevereiro de 2025. O registro confirma a remessa de US$ 2 milhões ao Havengate Development Fund LP, fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro. A operação teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda., foi processada pelo Banco BS2 e destinada a uma conta do Havengate no JPMorgan Chase Bank. O comprovante contém códigos de identificação, dados das instituições e registros de liquidação exigidos pelo sistema financeiro internacional.

Apesar de a Entre Investimentos e Participações e Daniel Vorcaro negarem vínculo societário ou de controle, as evidências documentais e reportagens anteriores do Metrópoles e do Estadão apontam para uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro. O Intercept procurou Paulo Calixto, Thiago Miranda e Antônio Carlos Freixo Júnior, além das defesas de Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, que estão presos. Não houve resposta até a publicação. O Grupo Entre, em nota, afirmou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro” e que está “à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.