Um documento obtido pela Agência Pública mostra que a plataforma X, de propriedade de Elon Musk, atuou diretamente para que os Estados Unidos aplicassem sanções comerciais ao Brasil. O material foi enviado ao Escritório Comercial dos EUA (USTR) em agosto de 2025, no contexto da investigação da Seção 301 que resultou em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
No documento de quatro páginas, assinado por Wifredo Fernandez, diretor global de relações governamentais do X, a empresa alega que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) criam 'incerteza jurídica' e 'barreiras comerciais' para empresas americanas. A plataforma pede que o governo Trump considere o Brasil como alvo de retaliação por 'práticas desleais' no comércio digital.

O X critica especialmente a obrigatoriedade de manter representação legal no Brasil, estabelecida pelo Marco Civil da Internet, e as ordens judiciais para remoção de conteúdo. A empresa argumenta que tais medidas 'afetam cidadãos norte-americanos' e que pedidos de dados deveriam passar por canais diplomáticos, como o Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT).
O documento também menciona decisões do ministro Alexandre de Moraes, incluindo a suspensão do X por 39 dias em 2024 e o bloqueio de US$ 2 milhões da conta da Starlink, classificando-as como 'sequestro'. A empresa reclama de multas milionárias e ameaças de prisão a executivos locais.

A investida do X ocorre após Musk ter perdido a batalha judicial no Brasil em 2024, quando foi multado em R$ 28,6 milhões e obrigado a reabrir escritório no país. Desde então, o bilionário teria buscado apoio do governo Trump para retaliar o Brasil, o que se concretizou com as tarifas da Seção 301.
O USTR, ao justificar as sanções, reproduziu argumentos semelhantes aos do X, citando ordens sigilosas de Moraes e a suspensão da plataforma, sem mencionar nominalmente a empresa. A decisão foi interpretada como uma vitória de Musk sobre o Brasil.

Enquanto isso, brasileiros enviaram comentários irônicos ao USTR, defendendo a soberania nacional e criticando a interferência estrangeira. O período para novas contribuições está aberto até 7 de julho de 2026.
Com informações de Agência Pública — leia a matéria original.