A apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais no Peru continua acirrada. Nesta quarta-feira (10), a vantagem do candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino sobre a candidata de direita Keiko Fujimori caiu para aproximadamente 7,3 mil votos, em um universo de mais de 27 milhões de eleitores aptos.
Com 97,8% das urnas processadas, Sánchez registra 50,020% dos votos válidos, enquanto Fujimori tem 49,980%, segundo dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Até o fechamento desta reportagem, foram contabilizados 9.014.951 votos para Sánchez e 9.007.614 para Keiko. Na terça-feira (9), com 95,9% das urnas apuradas, a diferença era de 19 mil votos a favor de Sánchez. A vantagem chegou a superar 40 mil votos nas últimas 24 horas, mas foi diminuindo gradualmente.

Apuracão apertada
Restam 378 atas a serem contabilizadas, de um total de 92,7 mil. Os votos dos peruanos no exterior, que ainda estão sendo apurados, favorecem Fujimori: ela obtém 63,3% contra 36,6% de Sánchez. Cerca de 1,2 milhão de peruanos residem fora do país, o que equivale a 4,4% do eleitorado total, conforme dados oficiais.
O Jurado Nacional de Eleições (JNE), autoridade máxima eleitoral do Peru, informou que os resultados definitivos devem ser finalizados apenas em “meados de julho”. Isso se deve à implementação de um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram inconsistências. Até o momento, foram recebidas 1,3 mil atas “em observação”.

Reviravoltas na contagem
No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko Fujimori liderava por 200 mil votos, em razão da contagem prioritária das urnas de Lima, a capital. O cenário se inverteu na segunda-feira (8), quando Sánchez ultrapassou Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. Desde então, a diferença oscilou, mas permanece favorável ao candidato de esquerda.
Contexto político
Roberto Sánchez Palomino e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial de cinco anos, para o período de 2026 a 2031. O vencedor será o nono presidente do Peru em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento, considerado o poder de fato no país.
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (condenado por violações de direitos humanos, incluindo esterilização forçada de mulheres indígenas), já perdeu as três últimas eleições presidenciais no segundo turno: 2011, 2016 e 2021. Sánchez, por sua vez, é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena.
Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru e foi ministro de Castillo. No domingo (7), após votar em Lima, ele se dirigiu ao presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, e permaneceu no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.