A rivalidade entre o setor bancário tradicional e o mercado de criptomoedas ganhou novos capítulos públicos. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, chamou o presidente da Coinbase, Brian Armstrong, de 'cheio de m****' em entrevista à Fox Business na semana passada, elevando o tom de uma disputa que se intensifica às vésperas de uma votação crucial no Senado dos Estados Unidos.

O objeto da discórdia é a chamada Lei da Claridade (Clarity Act), prioridade legislativa do setor de criptomoedas. A proposta, que já passou pela Câmara e deve ser votada em plenário no Senado nas próximas semanas, estabelece a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) como principal órgão regulador dos ativos digitais, em vez da Comissão de Valores Mobiliários (SEC).

O que está em jogo

A Lei da Claridade foi elaborada em 2025 para resolver uma longa disputa sobre qual órgão regulador deveria supervisionar ativos digitais como bitcoin e stablecoins. O setor de criptomoedas argumenta que a SEC, com seu regulamento de 90 anos, não é adequada para lidar com a inovação tecnológica. Críticos, porém, veem a proposta como uma tentativa de criar regras mais brandas para as empresas de criptomoedas.

O projeto de lei permite que empresas como a Coinbase ofereçam recompensas financeiras a clientes que usam stablecoins — uma espécie de substituto digital do dólar americano. Para Dimon e outros banqueiros, isso equivale a pagar juros sobre depósitos, atividade típica de bancos, mas sem as mesmas proteções ao consumidor e supervisão regulatória.

'Se (Armstrong) aceita depósitos como um banco, ele deveria seguir as regras bancárias', afirmou Dimon. A Coinbase contesta a comparação. O diretor de políticas da empresa, Faryar Shirzad, disse à CNN que 'se você tem uma conta de corretagem na Charles Schwab, ela é regulamentada de maneira diferente de uma conta bancária'.

Reações e desdobramentos

Após o comentário de Dimon viralizar, Armstrong respondeu no X com um meme gerado por IA intitulado 'Rivalidade Acirrada', retratando a si mesmo e a Dimon como jogadores de hóquei. Em entrevista ao Politico, Armstrong disse ter ficado 'perplexo' com a repreensão e afirmou que a lei, no fim das contas, será 'boa para os bancos'.

A American Banking Association apoia amplamente a Lei da Claridade, mas contesta as disposições sobre recompensas de stablecoins e pede o fortalecimento de medidas de combate à lavagem de dinheiro. A porta-voz do JPMorgan, Trish Wexler, afirmou que o banco quer o projeto aprovado com 'correções', como a proibição de recompensas sobre stablecoins.

Defensores dos consumidores também se opõem. A senadora Elizabeth Warren disse que o projeto 'declara temporada de caça aberta' aos investidores ao eliminar proteções estaduais contra fraudes. A professora de Direito da American University, Hilary Allen, alertou que a integração maior entre criptomoedas e bancos tradicionais pode amplificar crises futuras: 'se houver uma crise financeira nesse setor… ninguém sairá ileso'.

O presidente Donald Trump, cujo portfólio de criptomoedas supera seus ativos imobiliários, tem defendido o projeto de lei. A votação no Senado é aguardada com expectativa por ambos os lados.

Com informações de CNN Brasil.