As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram as negociações desta sexta-feira (5) em forte alta, com elevação superior a 40 pontos-base nos vértices de médio e longo prazos. O movimento ocorre em meio à expectativa de que a Selic seja mantida em 14,50% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A taxa do DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 15,5 pontos-base, fechando a 14,430%, ante 14,275% do ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2029, de médio prazo, avançou 43,5 pontos-base, para 14,810%, ante 14,375% do fechamento anterior. Durante a sessão, atingiu 14,820%, o maior nível desde abril do ano passado.

As taxas para janeiro de 2030 e 2031 também renovaram as máximas intradia desde abril, a 14,805% e 14,745%, respectivamente. O DI para janeiro de 2036, de longo prazo, fechou a 14,695%, alta de 34 pontos-base ante o ajuste anterior.

Impacto dos Treasuries e payroll

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano também fechou em alta, com a precificação de elevação nos juros dos Estados Unidos a partir do segundo semestre. O yield do Treasury de dois anos subiu para 4,147%, ante 4,049% do ajuste anterior, e o de dez anos avançou para 4,532%, de 4,477%.

O principal relatório de emprego dos EUA, o payroll, mostrou a criação de 172 mil empregos em maio, bem acima das expectativas do mercado, que previa 85 mil vagas. O resultado também superou o dado revisado de abril, de 179 mil vagas. Após o relatório, o mercado voltou a precificar uma alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) no segundo semestre. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 52,2% de chance de aperto monetário na decisão de outubro.

Curva de juros brasileira

No Brasil, a curva de juros futuros zerou as apostas de cortes na Selic neste ano, com a ampliação das chances de alta nos juros dos EUA, deterioração das expectativas de inflação e enfraquecimento do real ante o dólar. À tarde, a curva precificava 68% de chance de manutenção da Selic em 14,50% na próxima reunião do Copom, em 17 de junho. Essa é a primeira vez desde o fim de março que o mercado tem como aposta majoritária a pausa no ciclo de cortes.

O Bank of America (BofA) elevou a projeção para a Selic de 13,25% para 14,25% ao ano em dezembro, o que implica um corte seguido de uma pausa prolongada até meados de 2027. Segundo dados da B3, as opções de Copom reduziram a probabilidade de um novo corte de 25 pontos-base de 71% na terça-feira (2) para 53,1% na quarta-feira (3), enquanto a chance de manutenção subiu de 27% para 45,5%.

Com informações de Money Times.