O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não foi informado antecipadamente sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Rodrigues estava na França, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a programação do G7, e foi surpreendido pela ação policial.
A falta de comunicação prévia também atingiu o Palácio do Planalto. Em outras investigações que envolveram integrantes do governo, a cúpula da PF havia tomado conhecimento das medidas antes de seu cumprimento, mesmo que poucas horas antes. Um dos casos lembrados é a operação sobre fraudes no INSS, em que o então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi preso. Na ocasião, Andrei Rodrigues foi pessoalmente ao Palácio da Alvorada para informar Lula sobre a ação. Dessa vez, o diretor-geral da PF não fez contato prévio com o presidente.

Sigilo determinado por Mendonça
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que os desdobramentos da investigação sobre o Banco Master não fossem levados ao conhecimento da direção da Polícia Federal. A decisão manteve sob sigilo os passos da operação, o que explica a surpresa até mesmo na cúpula da corporação.
Após o início da ação, o nome de Andrei Rodrigues passou a ser citado em críticas dentro do Palácio do Planalto. Integrantes do governo afirmam que havia a expectativa de que o PT da Bahia pudesse ser alcançado pelas investigações, mas dizem que a operação desta quinta-feira causou surpresa.
Apreensão e detalhes da investigação
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie, valor equivalente a R$ 250 mil na cotação do dia, em um endereço em Brasília ligado a Jaques Wagner. O senador é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes e corrupção relacionado ao Banco Master.
Segundo a apuração, Wagner teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional, entre elas um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões. A decisão de Mendonça, baseada em representação da Polícia Federal, aponta que a etapa atual concentra-se na relação entre o senador e Augusto Lima, dono do Banco Pleno e citado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O avanço das apurações ocorreu após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, segundo a Polícia Federal. Os dados teriam indicado a dinâmica do suposto esquema investigado.
“A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz um trecho da decisão.