Uma projeção do Congresso em Foco, baseada nas pesquisas mais recentes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indica que partidos de direita e centro-direita devem conquistar ao menos 40 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027. Esse número fica a uma vaga da maioria absoluta, que exige 41 senadores.
Nas eleições de outubro, 54 cadeiras estarão em disputa — duas por estado e pelo Distrito Federal. O levantamento aponta favoritismo de legendas conservadoras para vencer em ao menos 23 dessas vagas. Somados aos 17 senadores do campo oposicionista que estão no meio do mandato e permanecerão na Casa, o bloco pode atingir a marca de 40 parlamentares.

Cenário atual e vantagem conservadora
Dos 27 senadores que continuarão no Senado em 2027, dez são do PL, quatro do Republicanos e três do PP — todos da oposição ao governo Lula. A base governista conta com apenas nove senadores remanescentes. Para formar maioria própria, o campo governista precisaria eleger 32 dos 54 novos senadores, uma meta considerada difícil no momento.
Na configuração projetada, PL e MDB aparecem empatados na liderança, com dez cadeiras cada. O PT vem em seguida, com sete. União Brasil teria cinco; PSD, PSB e Republicanos, quatro cada; PP, três; Podemos, duas; e Avante, PDT, Novo, Psol e Rede, uma cadeira cada. Considerando PL, União Brasil, PP, Republicanos e Novo como partidos conservadores ou de centro-direita, esse bloco elegeria 23 senadores. A conta pode crescer se incluídos candidatos de MDB e PSD alinhados à direita, mas o levantamento evita classificá-los de forma monolítica devido ao perfil regional e pragmático.

Disputa estratégica
A eleição para o Senado tornou-se prioridade para governo e oposição. A maioria na Casa é decisiva para escolher o presidente do Senado, que controla a pauta de votações. Além disso, cabe aos senadores aprovar indicações para o Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República, Banco Central, agências reguladoras e embaixadas. O Senado também pode instalar CPIs, votar propostas de emenda à Constituição e julgar processos de impeachment de autoridades, como ministros do STF.
Atualmente, entre os 54 senadores em fim de mandato, 32 são da base governista, seis independentes e 16 da oposição. O analista político Antônio Augusto de Queiroz, ex-diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), classifica a eleição como "absolutamente estratégica" e prevê um Senado "mais conservador, mais instável e o mais contestador da história do país". Segundo ele, "depois da derrota em 2022, Bolsonaro se convenceu de que o Senado é o cerne".

Projeções e variações
O levantamento trabalha com faixas de variação para os partidos. O PL pode variar de sete a 17 cadeiras; MDB, de oito a 11; PT, de quatro a 11; PSD, de dois a nove; PP, de dois a oito; União Brasil, de três a sete. Os tetos não podem ser somados, pois vários partidos disputam as mesmas vagas nos estados. Oito dos 27 senadores remanescentes são pré-candidatos ou cotados para outros cargos em 2026, o que pode alterar a composição.
A projeção considera pesquisas estaduais registradas no TSE desde março, priorizando as mais recentes. Em caso de empate técnico, ausência de dados ou disputa aberta, o levantamento não crava vencedores e considera múltiplas possibilidades. Até as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, candidaturas e alianças podem mudar.
Indefinições estaduais
Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas e Rio Grande do Sul concentram cenários mais indefinidos, com empates técnicos, possíveis trocas de candidatos e arranjos estaduais ainda não fechados. Até outubro, o humor do eleitorado pode alterar a disputa.
Em 2026, a renovação de 54 cadeiras se assemelha à de 2018, quando o MDB elegeu sete senadores e houve forte renovação com a ascensão de Jair Bolsonaro. Em 2022, com apenas 27 vagas em disputa, o PL foi o maior vencedor, com oito senadores eleitos, consolidando a presença da direita no Senado.
Outros destaques
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou a economista Daniella Marques para coordenar a agenda econômica de sua pré-campanha. Em outra declaração, ele defendeu o programa Bolsa Família, chamando-o de "direito adquirido".