Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificaram alterações no desenvolvimento físico de aves da Mata Atlântica em áreas com desmatamento, antes mesmo de sinais como redução populacional ou extinção local. O estudo, publicado em maio na revista Ornithology Research, analisou quatro espécies de aves de sub-bosque no corredor Cantareira-Mantiqueira, em São Paulo.

Os cientistas encontraram evidências de que o chupa-dente (Conopophaga lineata) apresenta maior assimetria nas pernas em regiões mais desmatadas, um sinal associado a condições adversas durante o crescimento. Também foram observadas alterações no tamanho do bico entre as aves avaliadas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores compararam características morfológicas das aves com os níveis de cobertura florestal ao redor dos fragmentos estudados. A análise reuniu dados coletados em campo e informações de exemplares preservados em museus.

Segundo os autores, as mudanças observadas podem funcionar como indicadores precoces dos efeitos da degradação ambiental, já que foram detectadas antes do aparecimento de sinais mais conhecidos pelos programas de conservação, como a redução populacional ou a extinção local de espécies.

“A perda de floresta não afeta todas as espécies da mesma forma, mas pode impactar o desenvolvimento de algumas antes mesmo de mudanças mais evidentes”, afirmou a pesquisadora Patricia dos Santos Ferreira, autora do estudo.

Além de revelar impactos pouco perceptíveis da perda de habitat, o estudo sugere que mudanças morfológicas podem funcionar como sinais precoces da degradação ambiental. Segundo os autores, identificar essas alterações pode ajudar a orientar estratégias de conservação em um bioma que segue sob forte pressão do desmatamento.

Com informações de ((o)) eco.