O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, utilizou o Dia Mundial do Meio Ambiente, nesta sexta-feira (5), para divulgar um balanço da política ambiental do governo Lula desde 2023. Em cadeia nacional de rádio e televisão, ele citou dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para sustentar a redução do desmatamento em todos os grandes biomas brasileiros.
Segundo os números apresentados, o desmatamento na Amazônia caiu 50% desde 2023. No Pantanal, a redução foi de 65%; na Mata Atlântica, 54%; no Cerrado, 32%; e no Pampa, 30%. Para o governo, os índices demonstram que é possível crescer economicamente sem ampliar a devastação ambiental.
Capobianco também destacou a ampliação de áreas protegidas. De acordo com o ministro, foram criadas mais de uma dezena de novas reservas ambientais e reconhecidas terras indígenas e territórios quilombolas que, somados, equivalem a cerca de 5 milhões de campos de futebol. Ele ressaltou o fortalecimento do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, classificando os órgãos como "alvo de tentativas de desmonte em anos anteriores", em referência à gestão Bolsonaro.
O pronunciamento defendeu uma mudança de paradigma: a proteção ambiental como fator de competitividade. "Desde janeiro de 2023, o governo do Brasil voltou a tratar o meio ambiente como um indutor do desenvolvimento, não como obstáculo", afirmou Capobianco. A declaração inverte o argumento que predominou no debate público durante a administração anterior, quando órgãos de fiscalização eram frequentemente retratados como entraves ao agronegócio e à infraestrutura.
O ministro alertou para as consequências econômicas de ignorar essa tendência. "Hoje, no mundo inteiro, são os critérios ambientais que definem acordos comerciais e abrem as portas do investimento. Ir na contramão dessa tendência pode fechar mercados e isolar o país", disse. O governo apresenta a conformidade ambiental como requisito para manter acesso a parceiros comerciais e fluxos de investimento estrangeiro.
Outro ponto central foi a retomada do Fundo Amazônia, que voltou a operar com nove países financiadores após quatro anos de exclusão durante o governo Bolsonaro. Segundo Capobianco, as ações viabilizaram um volume recorde de 204 bilhões de reais em recursos públicos e privados, nacionais e internacionais, destinados ao desenvolvimento sustentável. A origem detalhada desse montante não foi especificada.
Diante da previsão de um novo El Niño, o ministro afirmou que o governo reforçou o monitoramento e colocou em campo o maior contingente de brigadistas da história. "Aumentamos o número de aeronaves e equipamentos de prevenção e combate e apoiamos em mais de meio bilhão de reais os corpos de Bombeiros dos estados onde há mais incêndios florestais", declarou.
O pronunciamento foi o primeiro em rede nacional desde que Capobianco assumiu o ministério, em abril de 2026, sucedendo Marina Silva. Antes, ele era secretário-executivo da pasta. A transição foi apresentada como garantia de continuidade das políticas ambientais. A ex-ministra Marina Silva também se manifestou na data, defendendo a preservação como política estratégica. O presidente Lula reforçou o posicionamento em redes sociais, afirmando que as ações "consolidam o Brasil como referência mundial na preservação ambiental".
Com informações de Revista Fórum.