O desabafo público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro abriu uma nova frente de preocupação na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Embora ambos tenham adotado um discurso de pacificação nas horas seguintes ao episódio, dirigentes do partido passaram a trabalhar para conter os efeitos da crise, principalmente entre mulheres e eleitores evangélicos, dois segmentos considerados estratégicos para a candidatura (este texto é um resumo do vídeo acima).
O tema foi discutido no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, com participação do repórter Marcelo Ribeiro, da coluna Radar.
Por que o desabafo de Michelle causou preocupação?
Segundo Ribeiro, a repercussão surpreendeu aliados de Flávio. A crise começou na noite de quarta, 24, quando Michelle tornou públicas críticas ao relacionamento com o enteado, afirmando ter sido desrespeitada e maltratada em diferentes momentos. Um dos principais motivos da insatisfação, segundo o relato apresentado no programa, remonta à disputa interna sobre o apoio do PL à eleição estadual no Ceará.
Inicialmente, Flávio procurou minimizar o episódio. Horas depois, porém, mudou de postura e publicou um pedido público de desculpas à ex-primeira-dama. Na manhã seguinte, Michelle também reduziu o tom das declarações e afirmou que não existe uma disputa interna, pedindo que suas falas não fossem retiradas de contexto.
Lula x Flávio: os eleitores que devem decidir a eleição
O que mais preocupa a direção do PL?
Para o repórter, o maior temor dentro do partido não é propriamente a divergência familiar, mas o impacto eleitoral que ela pode produzir. “Há uma preocupação, principalmente, com os impactos que a Michelle pode ter tanto no eleitorado feminino quanto nos eleitores evangélicos”, afirmou.
Continua após a publicidadeSegundo o jornalista, a cúpula do PL considera que Michelle possui um capital político próprio consolidado nesses dois segmentos e que qualquer desgaste público envolvendo seu nome pode dificultar a estratégia eleitoral da campanha. Foi justamente esse diagnóstico que levou aliados a pressionarem Flávio a reagir rapidamente, publicando uma manifestação de desculpas poucas horas após a repercussão do episódio.
Por que mulheres e evangélicos são estratégicos?
Segundo Ribeiro, as pesquisas internas e os levantamentos públicos mostram comportamentos distintos entre esses grupos. Enquanto Lula mantém vantagem entre as mulheres, o eleitorado evangélico segue sendo uma das principais bases de sustentação da candidatura de Flávio.
“As mulheres estão até esse momento mais com o presidente Lula do que com o Flávio, mas os evangélicos dão uma sustentação muito grande à pré-candidatura”, explicou. Por essa razão, qualquer ruído envolvendo Michelle é visto com cautela dentro do partido, sobretudo entre lideranças religiosas próximas ao bolsonarismo.
Michelle pode voltar ao centro da disputa presidencial?
Além do impacto imediato, o episódio alimentou especulações dentro do próprio campo conservador. Segundo Ribeiro, existe entre alguns aliados a percepção de que Michelle permanece como uma alternativa política relevante caso a candidatura de Flávio enfrente dificuldades mais adiante. “Tem gente que acredita que a Michelle está ali no banco de reservas”, afirmou.
Continua após a publicidadeNa avaliação apresentada no programa, essa hipótese também projeta uma eventual disputa pela liderança política do bolsonarismo no pós-Bolsonaro, cenário que poderia ganhar força nas eleições seguintes.
O que dizem aliados da família Bolsonaro?
Durante o programa, o deputado federal Rodrigo Valadares (PL-SE) procurou minimizar a crise. Segundo o parlamentar, a família Bolsonaro mantém forte apoio entre seus aliados políticos, especialmente em estados onde o grupo conserva elevada influência eleitoral.
Embora tenha evitado comentar diretamente o conflito entre Michelle e Flávio, Valadares ressaltou a unidade política em torno da família Bolsonaro e afirmou que continua recebendo apoio de seus integrantes em Sergipe.
Apesar do esforço para transmitir normalidade, a avaliação predominante entre dirigentes do PL é de que a rápida reação pública dos envolvidos buscou evitar que uma divergência familiar se transformasse em um problema eleitoral de maiores proporções justamente no momento em que a campanha tenta recuperar terreno nas pesquisas de intenção de voto.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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