Documentos da Polícia Federal obtidos no âmbito da Operação Compliance Zero indicam que os deputados federais Julio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram faturas do cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A investigação apura suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Conforme os registros, Julio Arcoverde efetuou o pagamento de um boleto de R$ 13.693, referente ao cartão de crédito do Banco BRB em nome de Ciro Nogueira, em 19 de junho de 2024 — mesmo mês em que o senador realizou uma viagem a Lisboa custeada por Vorcaro. Átila Lira, por sua vez, pagou um boleto de R$ 3.457, também do cartão BRB de Ciro, na mesma época.

Procurados por e-mail desde terça-feira (16) e por telefone nesta quinta-feira (18), os deputados não responderam até a publicação desta reportagem.

Indícios de ocultação

A Polícia Federal aponta que os pagamentos sugerem uma tentativa de ocultar quem realmente arcava com as despesas do senador. Segundo os autos, Ciro Nogueira também vinculou o cartão ao nome de outra pessoa, indicando interposição de terceiros. O objetivo, de acordo com a investigação, seria dificultar o rastreamento do dinheiro e esconder que o alto padrão de consumo do senador — incompatível com sua renda formal como parlamentar — fosse mantido por terceiros.

A PF afirma que a prática visa impedir a identificação da origem, do destino e do beneficiário final dos recursos.

Relações entre os envolvidos

Além do pagamento da fatura, Julio Arcoverde e Ciro Nogueira foram sócios da empresa Seven—Bar & Charutaria, localizada no centro de Teresina (PI), que funcionou entre agosto de 2003 e agosto de 2011. O filho do deputado, Julio Ferraz Arcoverde Filho, atua como assessor parlamentar de Ciro Nogueira, ocupando cargo comissionado com remuneração mensal de R$ 12.360, conforme consta nos documentos da PF.

Faturas elevadas e incompatibilidade de renda

Os autos da PF destacam que Ciro Nogueira mantinha faturas de cartão de crédito com valores elevados, superiores ao seu salário de senador, de R$ 46.366 (segundo o Portal da Transparência). Em junho de 2024, a fatura do cartão no BRB atingiu R$ 120.839. No mesmo mês, a fatura no Itaú foi de R$ 14.045. Em fevereiro de 2024, a fatura no Bradesco chegou a R$ 46.109.