Os deputados Leleco Pimentel (PT-MG) e Padre João (PT-MG), integrantes do mandato coletivo Juntos para Servir, divulgaram um artigo em que alertam para os possíveis impactos de um novo ciclo do El Niño nos próximos meses. No texto, eles afirmam que o fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, altera o regime de chuvas e afeta a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a vida de milhões de pessoas.
Segundo os parlamentares, os efeitos do El Niño no Brasil são conhecidos: algumas regiões sofrem com chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, enquanto outras enfrentam secas prolongadas, perdas agrícolas e aumento do risco de queimadas. Eles destacam que, com o aquecimento global, esses eventos tendem a ser ainda mais severos.
Os deputados defendem que o debate deve focar na preparação para eventos climáticos extremos. Citam a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, para afirmar que a crise ambiental e a social são inseparáveis. “Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental”, registram, parafraseando o documento.
Críticas ao agronegócio e defesa da agricultura familiar
No artigo, Pimentel e Padre João afirmam que os impactos do El Niño não atingem a todos igualmente. Enquanto enchentes em grandes fazendas de monocultura geram prejuízo econômico, secas em propriedades da agricultura familiar colocam em risco o sustento de comunidades inteiras. Os deputados classificam a agricultura familiar como “um dos setores mais vulneráveis aos extremos climáticos” e, simultaneamente, “uma das maiores aliadas na construção de soluções sustentáveis”.
Eles defendem políticas públicas permanentes de fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia, da recuperação de nascentes e da proteção dos recursos hídricos. No entanto, criticam setores do agronegócio que, segundo eles, pressionam pela flexibilização das regras ambientais enquanto comunidades lutam pela preservação das águas.
Em Minas Gerais, os deputados citam os exemplos de Mariana e Brumadinho como consequências do afrouxamento dos controles ambientais. “Os mesmos grupos que frequentemente classificam a proteção ambiental como entrave ao desenvolvimento costumam silenciar diante dos prejuízos provocados pela degradação dos rios, pela contaminação dos solos e pela destruição dos territórios”, afirmam.
Propostas concretas e urgência de prevenção
Entre as iniciativas defendidas pelo mandato coletivo, os deputados destacam a implantação de barraginhas em Minas Gerais, tecnologia de captação de água das chuvas para recuperação de nascentes e fortalecimento da segurança hídrica rural. Eles argumentam que a prevenção custa menos que a reconstrução e que a proteção ambiental é necessária para garantir água, alimento e dignidade para as futuras gerações.
Pimentel e Padre João concluem que o possível retorno do El Niño deve servir como alerta para reforçar a urgência de políticas públicas que fortaleçam a capacidade das comunidades de enfrentar os desafios climáticos, sem alarmismo ou negacionismo.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.