Uma delegação da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve viajar aos Estados Unidos na próxima semana para reuniões com órgãos de inteligência e polícia americanos. O embarque está previsto para os dias 23 ou 24 de março, segundo apuração da Jovem Pan.
O grupo passará cerca de uma semana no país, com paradas em Austin (Texas), Los Angeles e no escritório do FBI em Washington. Participam da missão o presidente da comissão, coronel Meira, a delegada Ione, o sargento Gonçalves, o deputado Sargento Portugal e o deputado Capitão Alden.

O foco da viagem, conforme o deputado Capitão Alden, é compreender como os Estados Unidos e suas agências planejam agir em relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho, classificados por Washington como organizações narcoterroristas. Alden afirmou que a decisão americana não tem motivação política.
“A ideia dos Estados Unidos em equiparar o PCC ao terrorismo não é para ajudar o Brasil, não é para ajudar Flávio Bolsonaro, nem para criar uma narrativa que ajude a desgastar o Lula”, declarou.
O parlamentar argumentou que a presença das facções em solo americano explica o interesse de Washington. “De 50 estados americanos, 16 já têm presença confirmada de membros do PCC e do Comando Vermelho”, disse. Segundo ele, o PCC hoje possui uma estrutura bilionária e atua em 28 países.
Entrave na legislação brasileira
Um dos principais obstáculos para uma classificação equivalente no Brasil, de acordo com Alden, é a legislação penal vigente. O marco legal brasileiro exige motivação política, religiosa, racial ou xenófoba para o enquadramento como terrorismo.
“O PCC não tem nada disso, mas tem modus operandi de todas aquelas associações equiparadas a terrorismo”, afirmou.
O deputado informou que prepara um documento comparativo entre as ações do PCC e as de organizações reconhecidas internacionalmente como terroristas, com casos numerados ponto a ponto. O material será apresentado em debate na comissão após o retorno da viagem.