Quatro deputados brasileiros viajaram a Washington na última semana com o objetivo de apresentar a parlamentares democratas norte-americanos a situação política do Brasil e os efeitos negativos das políticas do presidente Donald Trump sobre o país. A missão, organizada pelo Washington Brazil Office (WBO), foi composta por Jandira Feghali (PcdoB-RJ), Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG), conforme informações da entidade.
Entre os temas discutidos, a delegação pediu maior cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, à lavagem de dinheiro e a grupos criminosos, com propostas que respeitassem a soberania nacional brasileira. Também solicitaram investigação sobre o uso de estruturas financeiras nos EUA para movimentar recursos ilícitos ligados ao caso Banco Master, a Daniel Vorcaro, ao PCC e a agentes políticos ligados à família Bolsonaro.

Outro ponto abordado foram as tarifas comerciais impostas por Trump ao Brasil. A missão argumentou que “substituir a racionalidade econômica por interesses ideológicos e geopolíticos prejudica a estabilidade e enfraquece a relação estratégica entre os dois países”.
Os deputados foram recebidos pelo congressista Jim McGovern, democrata de Massachusetts, e pela deputada Sidney Kamlager-Dove, da Califórnia, que agradeceram pela reunião e prometeram analisar as recomendações. Outros gabinetes democratas também demonstraram receptividade, segundo a Folha de S.Paulo.

O diretor executivo do WBO, Paulo Abrão, afirmou que “é essencial diversificar as vozes legislativas brasileiras que dialogam com os Estados Unidos” e que a delegação contribui para um debate mais informado sobre a realidade política do Brasil no cenário internacional.
Essa não é a primeira missão organizada pelo WBO. Em fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19, as deputadas Joênia Wapichana, Erika Kokay e Fernanda Melchionna estiveram em Washington para tratar de políticas consideradas retrógradas de Jair Bolsonaro e Trump. Em julho de 2022, representantes de 20 organizações da sociedade civil discutiram ameaças às eleições brasileiras com senadores e deputados dos EUA, resultando em uma resolução do Senado americano que pedia o reconhecimento do resultado eleitoral e suspendia a cooperação em caso de ruptura democrática.

A visita de 2022 levou o governo Biden a enviar comunicados ao governo Bolsonaro e às Forças Armadas brasileiras alertando contra tentativas de golpe. A invasão de 8 de janeiro de 2023 motivou outra missão, entre abril e maio de 2024, com membros da CPI do 8 de janeiro, como a senadora Eliziane Gama e os deputados Pastor Henrique Vieira, Humberto Costa, Rafael Brito, Jandira Feghali e Rogério Correia. Em dezembro de 2024, uma missão sobre ação climática e democracia também esteve em Washington, com os deputados Célia Xakriabá, Dandara, Túlio Gadelha e Arlindo Chinaglia.
O texto original da Agência Pública destaca o contraste com articulações que teriam sido feitas por outros setores, mas a presente reportagem se limita a relatar os fatos apresentados pela fonte.
Com informações de Agência Pública — leia a matéria original.